A conjuntura macroeconômica brasileira tem imposto desafios relevantes ao agronegócio, com impactos diretos sobre custos, receitas e margens dos produtores. Segundo a consultoria Céleres, a manutenção da taxa básica de juros em níveis elevados, combinada à valorização do real, tem encarecido o capital no campo e reduzido a rentabilidade da atividade agrícola.
Após um 2024 marcado por forte desvalorização da moeda brasileira frente ao dólar, o cenário mudou em 2025, quando o real passou a registrar um dos melhores desempenhos entre as moedas emergentes, com valorização de 27% na cotação. Esse movimento ocorreu em meio à desvalorização generalizada da moeda americana diante de economias emergentes, influenciada por políticas internas dos Estados Unidos, como o aumento dos gastos públicos e do déficit fiscal, além de tensões comerciais, inflação mais elevada e sinais de enfraquecimento da economia.
No mercado de commodities agrícolas, a apreciação do real intensificou os efeitos da queda dos preços internacionais no mercado interno, pressionando ainda mais as margens do produtor. Ao mesmo tempo, a economia brasileira atravessou um período de desafios fiscais, com política expansionista que elevou o déficit primário e aumentou o risco do país perante agências internacionais no primeiro semestre de 2025.
A inflação persistente, que se afastou do centro da meta a partir de julho de 2023, permaneceu elevada e acelerou no início de 2025. Esse processo foi impulsionado pela expansão fiscal, pelo aumento da oferta de crédito e por um mercado de trabalho aquecido. No cenário externo, pressões inflacionárias e a guerra comercial ampliaram as incertezas e sustentaram juros elevados em diversas economias. Diante desse contexto, o Banco Central Brasileiro adotou uma postura mais restritiva e elevou a taxa básica de juros para 15%, o maior nível desde julho de 2006.
Agrolink – Leonardo Gottems





















