Cultura de Criciúma em destaque no Sul de Santa Catarina: Oitiva reforça busca por qualificação e transparência nos Editais

Criciúma vem se consolidando como um dos municípios que mais movimenta o cenário cultural no Sul de Santa Catarina

E isso fica evidente quando a comunidade cultural se reúne para discutir políticas públicas, editais e caminhos possíveis para fortalecer o setor. Nesta semana, uma oitiva reuniu agentes culturais, proponentes e gestão pública para dialogar sobre o Edital Cultura Criciúma e a Política Nacional Aldir Blanc – PNAB Criciúma, com foco em orientações, inscrições, prazos e avaliação.

Criciúma em movimento: cultura como política pública e como direito

A oitiva reforçou um ponto essencial: Criciúma tem agentes culturais ativos, atentos e comprometidos. O município vive um momento em que o diálogo entre comunidade cultural, gestão pública e equipe técnica pode ser um diferencial para fortalecer o acesso, a descentralização e a seriedade na execução das políticas culturais.

Quando os agentes culturais se mobilizam para entender melhor os editais, questionam com responsabilidade e buscam qualificação, eles mostram que cultura é trabalho, é planejamento, é compromisso — e, acima de tudo, é um direito coletivo.

Edital Cultura Criciúma: repasse integral e retomada histórica

Na oitiva desta semana o superintendente de projetos da Fundação Cultural de Criciúma, Ismail Ahmad Ismail, destacou o Edital Cultura Criciúma, realizado com recursos do Fundo Municipal de Cultura, previsto como repasse obrigatório do poder público municipal. O investimento corresponde a 2 mil UFMs, valor que hoje representa aproximadamente R$ 340.000,00.

Em 2026, o edital marca um momento histórico: será a primeira vez que o repasse será executado de forma integral, após um período de aproximadamente dois anos sem lançamento.

A retomada acontece nesta nova gestão municipal, reforçando o compromisso com a continuidade das políticas culturais no município.

Embora o repasse esteja previsto em legislação desde 2016, o edital enfrentou interrupções ao longo do tempo — especialmente em razão da pandemia e de outras questões administrativas — e agora retorna com força total, reacendendo expectativas e movimentando o setor cultural local.

Durante a oitiva, Ismail destacou que o município já está avançando nas etapas necessárias para viabilizar os editais, com recursos recebidos e com estrutura técnica em andamento. Segundo ele, o processo já entrou em fase de organização prática.

“Já estamos com os serviços contratados, tanto na parte de assessoria técnica quanto na parte da plataforma de inscrição. E com as oitivas realizadas, o próximo passo será a elaboração e validação coletiva de documentos, a construção da minuta dos editais com a comunidade e o lançamento deles. Na sequência, o município pretende ampliar o acesso por meio da formação prática: as oficinas de escrita de projetos culturais.”

Prazos, atrasos e impactos: o que isso gera na cultura

Durante a oitiva, os prazos e atrasos foram pautados, tanto na PNAB quanto no edital municipal. O tema gerou reflexões importantes sobre os impactos diretos na cadeia cultural — afinal, quando um edital atrasa, não é apenas um cronograma que muda: são ações que deixam de acontecer, equipes que ficam sem previsão, contratações que não se confirmam e projetos que dependem daquele recurso para sair do papel.

Em um setor que já enfrenta desafios estruturais, a previsibilidade é um fator decisivo para que artistas, coletivos, produtores e espaços culturais consigam planejar com responsabilidade.

Atrasos na PNAB podem gerar perda de ciclos culturais

Ismail também chamou atenção para um ponto sensível: os impactos dos atrasos no cronograma da PNAB. Ele alertou que o que estava previsto como ciclo de encerramento em 2029 pode se estender além do esperado. “Realmente, em função dos atrasos, a PNAB que estava prevista para o ciclo se fechar em 2029… tem tudo para ele se fechar só em 2031.” Ismail

Participação expressiva marca o início das oitivas em Criciúma no ano de 2026

A presença de um número significativo de participantes durante a oitiva também foi apontada como um sinal de amadurecimento no cenário cultural do município. Para Reveraldo Joaquim, do Cirquinho do Revirado, ver artistas interessados em compreender política pública representa uma mudança importante.

“Destaco a quantidade de pessoas na oitiva. Uma importante mudança neste cenário. Ver interesse de artistas em entender política pública, isso rompe ignorâncias.” Reveraldo Joaquim

Ele ressaltou que o debate vai além da ideia superficial de que editais seriam apenas repasses financeiros: “Estudar e ver que editais não é dinheiro sendo dado para artistas: é responsabilidade do artista com o dinheiro público.” Reveraldo Joaquim

Na visão do agente cultural, compreender os mecanismos dos editais é também compreender caminhos concretos para tirar projetos do papel: “É também entender parte dos mecanismos e as formas que os fazedores de cultura podem colocar seus projetos e sonhos em prática.” Finalizou com uma expectativa coletiva para que o diálogo avance ao longo do ano: “É a primeira oitiva do ano, esperamos muitas outras e principalmente formações nesta área.” Reveraldo Joaquim

Editais mais claros: um pedido recorrente

Outro ponto em destaque foi a necessidade de editais mais claros e objetivos, especialmente em relação ao processo de inscrição. Muitos agentes reforçaram que, mesmo com experiência, ainda surgem dúvidas em campos específicos e exigências que poderiam ser mais bem explicadas, evitando interpretações diferentes e reduzindo erros que podem comprometer a participação.

Segundo ele, esse cenário pode significar prejuízos diretos para a comunidade cultural: “Isso já vai ter acarretado uma perda de pelo menos dois anos dos ciclos da comunidade cultural.” Ismail

Para o superintendente, o momento exige responsabilidade compartilhada entre poder público e agentes culturais: “É muito importante que, tanto da parte dos municípios, quanto dos agentes culturais, se tenha essa consciência de que não dá para ficar perdendo prazo na questão dos editais.” Ismail

Entre os questionamentos levantados durante a oitiva, o agente cultural Maxwell Sandeer Flor destacou a importância de alinhamento entre o formulário publicado oficialmente e o formulário digital utilizado no processo de inscrição, como forma de garantir mais objetividade e integridade na avaliação.

“Para uma avaliação mais assertiva, o formulário de inscrição publicado em Diário Oficial deve ser o mesmo formulário digital de inscrição, e este deve estar em diálogo com os critérios de avaliação do edital, orientando os pareceristas de maneira sistemática e objetiva das propostas homologadas.” Maxwell Sandeer Flor

Presidente da Associação Dança Criciúma (ASDC) e integrante do Pontão de Cultura CRIA, Maxwell reforçou que a clareza e a padronização dos documentos são fundamentais para reduzir dúvidas, evitar inconsistências e fortalecer a transparência do processo avaliativo.

O questionamento reforça uma preocupação recorrente entre os proponentes: que o edital seja claro não apenas na inscrição, mas também na forma como será analisado e pontuado.

Qualificação, demanda e integridade: o que a oitiva revelou

O encontro demonstrou algo muito positivo: o interesse crescente dos agentes culturais em buscar conhecimento técnico para escrever projetos mais consistentes e competitivos. Mais do que “preencher campos”, os proponentes querem compreender com profundidade os critérios, os objetivos da política pública e o que realmente torna um projeto viável, coerente e bem avaliado.

Além disso, com o aumento da mobilização cultural e do interesse nos editais, cresce também a demanda de inscrições — e isso torna ainda mais importante que o processo seja acessível, bem comunicado e transparente.

Avaliação com integridade e competência: uma demanda coletiva

Outro destaque do encontro foi a pauta da avaliação dos projetos, trazendo um pedido coletivo para que o processo seja conduzido com integridade, competência e responsabilidade técnica. Os agentes culturais demonstraram atenção aos critérios, aos pesos e à coerência entre o que é solicitado no edital e o que será cobrado na análise.

A cultura não se fortalece apenas com recursos: ela se fortalece quando há confiança no processo, quando os proponentes entendem como concorrer e quando as decisões são tomadas com base em critérios bem definidos e aplicados com justiça.

Avaliação, prazos e pareceristas: preocupação legítima com a integridade do processo

Outro ponto que ganhou destaque durante a oitiva foi a preocupação dos agentes culturais com a contratação dos avaliadores — e, principalmente, com a qualidade e o tempo necessário para uma análise responsável. A discussão envolveu questões práticas, como o volume de inscrições, o prazo disponível e a quantidade de analistas necessários para garantir uma avaliação criteriosa.

A percepção apresentada por diversos participantes foi clara: avaliar bem exige tempo. Considerando que um parecer técnico completo pode demandar semanas de leitura e análise, os agentes questionaram se o cronograma previsto seria suficiente para assegurar um processo justo, especialmente diante da expectativa de alta demanda.

Além do prazo, também foram levantadas dúvidas sobre quem seriam os avaliadores, quais critérios seriam usados para contratação e qual seria o nível de experiência exigido. A discussão incluiu ainda a importância de transparência sobre o currículo e a qualificação dos analistas, reforçando a necessidade de um processo conduzido com competência técnica e integridade.

O que se percebeu ao longo do encontro foi um cenário de maturidade e responsabilidade: os agentes culturais demonstraram não apenas interesse em acessar recursos, mas também uma preocupação real com como esses recursos serão avaliados, executados e prestados contas, revelando um compromisso com a cultura enquanto política pública.

Essa postura também gerou um sentimento de motivação coletiva. Quando gestão e comunidade cultural se encontram em uma mesma sintonia — com diálogo, escuta e clareza — os processos tendem a acontecer com mais tranquilidade, confiança e efetividade. Um dos pontos ressaltados, inclusive, foi a transparência da gestão de Criciúma em manter informações claras e acessíveis aos proponentes, fortalecendo o vínculo entre o poder público e os fazedores de cultura.

Assessoria técnica reforça compromisso com diálogo e editais mais democráticos

Além da participação ativa dos agentes culturais e da gestão municipal, a oitiva também trouxe à tona a importância do suporte técnico na execução da PNAB em Criciúma. Em conversa realizada com a assessoria técnica, Jhony Araújo, sócio advogado da empresa Santos Araújo Advocacia, destacou que a equipe pretende caminhar junto aos fazedores de cultura ao longo do processo. “É com grande satisfação que caminharemos ao lado dos agentes culturais de Criciúma na execução da PNAB.” Jhony Araújo

Segundo ele, o objetivo da assessoria é estabelecer uma relação de construção contínua, com foco em qualidade técnica e proximidade com a realidade local: “Nosso propósito é construir uma parceria sólida e duradoura, pautada na oferta de uma consultoria técnica de qualidade e excelência, baseada na troca de conhecimentos, no diálogo e no aprendizado mútuo.” Jhony Araújo

Jhony também ressaltou que o trabalho busca contribuir para editais mais acessíveis e conectados às necessidades reais do setor cultural: “Buscamos contribuir para a elaboração de editais cada vez mais democráticos, participativos e alinhados às reais necessidades do setor cultural.” Jhony Araújo

Outro ponto enfatizado foi o papel do Conselho Municipal de Cultura, entendido como uma instância essencial para fortalecer a legitimidade do processo: “Sempre com o apoio fundamental do Conselho Municipal de Cultura, que reconhecemos como um parceiro consultivo essencial.” Jhony Araújo

De acordo com ele, em todos os municípios onde a assessoria atua, o Conselho é tratado como parte ativa e estratégica na construção das políticas culturais: “Em todos os municípios onde atuamos, o Conselho é parte ativa desse processo, auxiliando na construção de políticas culturais que atendam, de forma ampla, transparente e democrática, aos anseios da classe cultural.” Jhony Araújo

Em resumo: Nesta semana o município de Criciúma mostrou exemplo em maturidade cultural: Gente interessada, perguntando, anotando, debatendo, querendo fazer bem-feito. Porque quando o agente cultural entende o edital, ele não só concorre — ele fortalece a política pública, protege o recurso público e transforma sonho em projeto possível. Criciúma começou o ano com presença e consciência. Que essa seja a primeira de muitas oitivas e que a formação seja prioridade, para que cada vez mais fazedores de cultura tenham acesso, segurança e autonomia para escrever, executar e entregar cultura com seriedade.

Texto e Produção: Juliana Natal

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