No mês em que se lembra o Dia Mundial de Conscientização da Fibromialgia, em 12 de maio, especialistas chamam atenção para uma mudança importante na forma de tratar a síndrome. Mais do que o uso de medicamentos, o cuidado com a fibromialgia tem passado a priorizar uma abordagem multidisciplinar, com foco na atividade física regular, no sono e na qualidade de vida dos pacientes.
A mudança reflete um avanço na compreensão da doença, hoje reconhecida como uma condição relacionada à forma como o sistema nervoso processa a dor. Essa nova visão tem impacto direto no tratamento, que deixa de ser centrado apenas em remédios e passa a incluir estratégias ativas por parte do paciente.
Segundo o médico reumatologista Dr. Marcelo Kaminski, essa transformação é essencial para melhorar o controle dos sintomas. “Hoje sabemos que o tratamento da fibromialgia vai muito além da medicação. A atividade física regular, por exemplo, tem um papel fundamental na redução da dor e na melhora da qualidade de vida”, explica.
O que é fibromialgia
A fibromialgia é uma síndrome caracterizada por dor crônica generalizada. Além da dor persistente, os pacientes frequentemente apresentam fadiga intensa, distúrbios do sono, dificuldades de concentração e alterações de memória.
A condição é mais comum em mulheres, com uma proporção que pode chegar a até 10 casos femininos para cada homem diagnosticado. Estimativas indicam que a fibromialgia atinge entre 2% e 3% da população brasileira. No Paraná, isso pode representar cerca de 300 mil a 350 mil pessoas vivendo com a síndrome.
Segundo especialistas, o diagnóstico é clínico e exige avaliação criteriosa, já que não há exames laboratoriais específicos para confirmar a doença. Não há inflamação em músculos, tendões e articulações, nem lesões que possam tornar “visível” a doença ou diagnosticá-la por exames. Trata-se de uma condição marcada pela dor crônica generalizada, com impacto significativo na vida laboral, social e emocional do paciente.
Tratamento vai além dos medicamentos
O tratamento da fibromialgia é multidisciplinar e combina medicação com mudanças no estilo de vida, sendo a atividade física um dos pilares mais importantes. Medicamentos como analgésicos e relaxantes musculares podem ser utilizados para controle da dor e melhora do sono, sempre com orientação médica.
Já a prática regular de exercícios ajuda a reduzir a sensibilidade à dor, melhora o condicionamento físico, regula o sono e contribui para o bem-estar geral. As atividades mais indicadas são as de baixo impacto e progressivas, como caminhada, musculação leve, pilates, alongamento e exercícios aquáticos, que promovem fortalecimento muscular sem sobrecarregar o corpo. A regularidade, explica o reumatologista, é mais importante que a intensidade, e o ideal é que o paciente encontre uma modalidade que consiga manter de forma contínua.
“Muitos pacientes acreditam que precisam evitar o movimento por causa da dor, mas o que vemos hoje é justamente o contrário: o corpo precisa se manter ativo para responder melhor ao tratamento”, destaca o especialista.
Conscientização ainda é essencial
Apesar dos avanços na compreensão e no tratamento, a fibromialgia segue sendo uma condição pouco conhecida pela população. O Dia Mundial de Conscientização da doença, celebrado em 12 de maio, tem como objetivo ampliar o conhecimento sobre os sintomas, incentivar o diagnóstico precoce e promover uma visão mais empática sobre os pacientes.
“A dor da fibromialgia não é visível, mas é incapacitante. Ainda é uma condição cercada por desinformação, o que leva à demora das pessoas em buscarem o diagnóstico correto. Quanto mais informação tivermos, maior a chance de essas pessoas serem acolhidas e tratadas de forma adequada”, conclui.
Movimento sem dor
O Dr. Marcelo Kaminski é médico reumatologista com atuação em Curitiba. Trabalha no diagnóstico e tratamento de doenças que afetam articulações, músculos, tendões e o sistema imunológico, como fibromialgia, artrites, doenças autoimunes e condições osteometabólicas. Sua prática clínica é voltada ao manejo da dor crônica e à melhora da funcionalidade dos pacientes.
Fonte | Giselle Ubrich / Agência Comunicore







