Risco de botulismo: deve-se ferver o palmito em conserva antes de comer?

Nos últimos tempos, alguns vídeos virais nas redes sociais têm abordado a questão dos riscos de se consumir palmito em conserva por risco de contaminação pela bactéria Clostridium botulinum, que libera uma toxina, podendo causar paralisia muscular e até levar à morte. Segundo essas gravações, o indicado seria ferver o alimento antes de comer.

“Quem opta por ferver o palmito deveria estender essa precaução a outros alimentos em conserva, como atum, pepino, azeitona, milho e ervilha, pois o risco do botulismo não é exclusivamente do palmito, mas, sim, de conservas mal preparadas”, explica.

Conforme Patrícia, a má reputação do palmito em conserva remonta ao surto de botulismo na década de 1990, doença causada pela bactéria Clostridium botulinum. Em resposta aos inúmeros casos, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) indicou temporariamente a fervura do alimento antes do consumo. Mas essa recomendação foi revogada em 2008, quando as normas sanitárias foram consolidadas na indústria.

“Existe um temor maior do palmito porque, por ser um produto mais caro, ele é retirado clandestinamente das matas. Não há controle sobre esse processo, o que acaba resultando em mais oportunidades para contaminação por Clostridium“, fala a nutricionista Suelen Gonçalves dos Santos Rodrigues, especialista em qualidade dos alimentos e professora do Centro Universitário UniOpet, de Curitiba.

Como garantir um consumo seguro

Para garantir um produto ideal para consumo, livre de toxinas, outras questões que devem ser consideradas, conforme as especialistas. A primeira delas é sempre comprar palmitos de boa procedência, oriundos de indústrias certificadas. “A embalagem deve conter as informações de origem, registro no Ministério da Saúde e no Ibama, além de prazo de validade”, orienta Suelen.

É importante também prestar atenção à cor do líquido, que deve ir do branco ao amarelo-claro. “Se apresentar outra cor pode significar algum tipo de contaminação. O líquido também deve ser translúcido. Qualquer alteração, seja amarelada, seja turva, é indicativo de alteração do produto”, ensina Suelen.

Os cuidados valem para todos os tipos de conservas, e não somente o palmito. “Evite produtos com embalagens enferrujadas, estufadas ou com água muito turva, que são sinais de possível contaminação. Além disso, leia o rótulo para verificar quanto tempo pode ser armazenado aberto na geladeira”, diz Patrícia.

Segundo Suelen, em geral, o palmito em conserva, após ter a embalagem aberta, dura de 1 a 3 dias em ambiente refrigerado. “O prazo depende de qual conservante foi usado. Além disso, o rótulo também traz outras orientações importantes, como é preciso tirar do vidro ou não”, comenta.

Para quem optar por comprar o palmito in natura, é importante alguns cuidados extras para garantir a segurança alimentar. “Ele deve ser higienizado com água em abundância, se comprado direto da roça, e lavado em solução clorada. A preferência é por comprar em embalagens hermeticamente fechadas e transparentes, onde se pode ver o conteúdo. Para consumo, deve ser cozido ou levado a um braseiro para eliminar as bactérias presentes”, ensina Suelen.

Já em restaurantes, vale a confiança que a pessoa tem no estabelecimento. “O que se deve considerar é o compromisso do local com a qualidade dos alimentos, as boas práticas de higiene e conservação, a compra de fornecedores idôneos, com rastreabilidade do produtor. Se você não confia, é melhor evitar”, sugere a nutricionista.

Sintomas de contaminação-Os sintomas de contaminação pela bactéria Clostridium botulinum podem ir dos mais simples, como náusea, vômito, diarreia e dor abdominal, aos mais graves.

“Essa bactéria tem uma particularidade. Ela tende a atingir o sistema neurológico. Então, esses sintomas podem progredir para visão turva e dupla, queda da pálpebra, dificuldade de engolir e boca seca. Como a toxina botulínica tem a propriedade de paralisar a musculatura, dependendo da quantidade ingerida, ela pode até paralisar todo o sistema digestivo”, conta Suelen.

Ela orienta buscar ajuda médica assim que desconfiar de que tenha sido infectado. “Como essa bactéria produz uma toxina paralisante, isso pode acontecer em minutos e até resultar em morte”, alerta.

Casa e Jardim | Bem Estar e Saude

Por Ana Sachs

Imagem Pixabay

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