Muito além da luta: brasileiro cria método com jiu-jitsu para crianças autistas

Criada por Marcio Sarmento, metodologia combina jiu-jitsu e conhecimentos sobre desenvolvimento infantil para estimular autonomia, coordenação motora, atenção e interação social de crianças neurodivergentes

O brasileiro Marcio Sarmento criou uma metodologia própria que utiliza o jiu-jitsu para apoiar o desenvolvimento de crianças autistas e outros alunos neurodivergentes. O protocolo organiza as aulas para estimular coordenação motora, autonomia, atenção, autoestima e interação social, adaptando o ensino às necessidades de cada aluno.

A ideia nasceu dentro da própria academia. Ao perceber que algumas crianças não respondiam aos métodos tradicionais de ensino, Marcio decidiu adaptar as aulas em vez de repetir o mesmo modelo. A experiência o levou a estudar neurociência aplicada, análise do comportamento, integração sensorial e pedagogia especializada, conhecimentos que deram origem à chamada Metodologia Sarmento.

Hoje, o protocolo é aplicado com crianças diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), TDAH, Síndrome de Down e outras condições do neurodesenvolvimento. Além de organizar cada aula em etapas planejadas, o protocolo acompanha indicadores ligados ao desenvolvimento dos alunos e envolve familiares e educadores para acompanhar a evolução das crianças dentro e fora das aulas.

Do tatame brasileiro ao trabalho com crianças nos Estados Unidos

A história de Sarmento com o jiu-jitsu começou em 1991, na academia Kyoto, na Tijuca, no Rio de Janeiro. Paralelamente, ele construiu carreira no polo aquático, integrou a Seleção Brasileira e participou de competições internacionais.

Depois de um acidente de carro, voltou a dedicar-se ao jiu-jitsu, aprofundou sua formação e passou a treinar com nomes importantes da modalidade. Também participou da criação da Brazil 021 – School of Jiu-Jitsu.

Anos mais tarde, fundou, ao lado de Rodrigo Prujansky, o The Center for Human Development, em Boca Raton, nos Estados Unidos. Foi ali que passou a unir a experiência no tatame aos estudos sobre desenvolvimento infantil e direcionou seu trabalho para crianças com diferentes condições do neurodesenvolvimento.

Método busca ampliar inclusão por meio do jiu-jitsu

Para estruturar a proposta, Sarmento buscou certificações internacionais voltadas ao comportamento e à educação especializada. Segundo ele, o objetivo sempre foi oferecer uma prática baseada em planejamento, adaptação e acompanhamento contínuo, respeitando o ritmo e as necessidades de cada criança.

Segundo o professor, uma das experiências que mais marcaram sua trajetória aconteceu em Boca Raton, quando uma família procurou o centro com três filhos pequenos. Ainda de acordo com ele, após o início das atividades, os pais relataram mudanças positivas na rotina das crianças e decidiram permanecer no programa.

O próximo passo do projeto é ampliar o alcance da metodologia por meio da formação de instrutores especializados. A proposta é levar o protocolo para outras academias e criar uma rede de profissionais preparados para trabalhar com crianças neurodivergentes.

Para ele, o legado do jiu-jitsu pode ir além das competições e da defesa pessoal. O tatame também pode oferecer um ambiente estruturado para estimular a aprendizagem, fortalecer a autonomia, a convivência e a confiança de crianças neurodivergentes.

Fonte | Monique de Carvalho

Jornalista formada em Comunicação Social pela Fanor, com mais de 15 anos de experiência em marketing de conteúdo, produção digital, storytelling e comunicação de impacto. Já contribuiu para os portais Razões para Acreditar e Só Notícia Boa.

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