O Louco, a Imperatriz, o Eremita, a Torre, a Morte, a Estrela. Figuras que atravessaram séculos e continuam despertando curiosidade, identificação e diferentes interpretações. Esse universo simbólico inspira a exposição “Arcanos do Inconsciente”, da artista Vívian Amorim, em cartaz no Centro Integrado de Cultura (CIC), em Florianópolis.
A mostra apresenta 22 pinturas inspiradas nos Arcanos Maiores do Tarô, além de vídeos de dança e estudos desenvolvidos em diferentes técnicas artísticas. O processo criativo une imagem e movimento. Os arcanos são vivenciados pela artista por meio da dança intuitiva e posteriormente traduzidos para a pintura, dando origem a uma interpretação pessoal de seus símbolos.
Tarô e arquétipos
O trabalho também abre espaço para uma reflexão sobre a relação entre Tarô, símbolos e inconsciente. Na psicologia analítica de Carl Gustav Jung, os arquétipos estão relacionados a padrões e imagens que reaparecem em mitos, sonhos, religiões e diferentes manifestações culturais. Nascimento, morte, transformação, sombra, maternidade, sabedoria e renascimento são experiências universais que também encontramos representadas nas imagens do Tarô.
Isso não significa afirmar que Jung tenha desenvolvido uma teoria específica sobre o Tarô, mas seu pensamento oferece possibilidades interessantes para compreender a força dessas imagens. A Torre, por exemplo, pode representar mais do que uma ruptura externa: pode nos levar a pensar sobre estruturas internas que precisam ser revistas. O Eremita convida à introspecção. A Morte fala de encerramentos e transformações. O Louco traz a possibilidade do novo e do primeiro passo. Nessa perspectiva, o Tarô não precisa estar restrito à pergunta “o que vai acontecer?”. Ele também pode provocar outra reflexão:
“O que esta imagem desperta em mim?”
Como taróloga, artista e arteterapeuta, vejo justamente aí uma das maiores riquezas do Tarô. Seus símbolos podem auxiliar na percepção de ciclos, sentimentos e conteúdo que nem sempre conseguimos expressar em palavras. A arte também percorre esse território. Uma imagem pode despertar lembranças, provocar incômodo, identificação ou reconhecimento sem oferecer uma resposta pronta.
Os arcanos permanecem os mesmos. O olhar de quem os encontra é que se transforma.
A exposição Arcanos do Inconsciente permanece no CIC, em Florianópolis, até 13 de outubro, com entrada gratuita.
Juliana Natal Mestre em Educação.
-Produtora Cultural
-Arte-Educadora
-Artista Plástica
-Cartomante
-Terapeuta artística
Agendamentos e informações: (48) 996248888 E-mail: [email protected] Instagram: @nataljuliana





