Casos de sarampo voltam a acender alerta: veja 9 perguntas e respostas sobre a doença

Saiba como ocorre a transmissão e como deve ser a vacinação para adultos e criança

O estado de São Paulo confirmou nesta semana o 16º caso de sarampo registrado em 2026. Do total, 13 registros ocorreram na capital paulista, dois em São Bernardo do Campo e um em Guarulhos. Entre os pacientes, sete são homens e nove são mulheres. A maior parte dos casos foi identificada em bebês com menos de um ano de idade, faixa etária mais vulnerável às complicações da doença, enquanto os demais envolvem adultos entre 20 e 50 anos.

As autoridades de saúde reforçaram as estratégias de vacinação para conter a circulação do vírus e evitar a reintrodução da doença no país. Diante desse cenário, Paula Matos Lemos, médica clínica geral do dr.consulta, reforça a seguir as principais orientações assistenciais e as medidas preventivas para reduzir o risco de contágio.

  1. Como acontece o contágio da doença?

O sarampo é transmitido pelo ar, por partículas respiratórias eliminadas ao tossir, espirrar, falar ou até mesmo na respiração. O vírus pode permanecer no ambiente por até duas horas, tornando a doença uma das mais contagiosas. Uma única pessoa pode transmitir o vírus para 15 a 20 pessoas no mesmo ambiente.

  1. Quais são os principais sintomas do sarampo?

Os principais sintomas são febre alta, manchas vermelhas pelo corpo (exantema), tosse, coriza e conjuntivite. Antes do aparecimento das manchas na pele, podem surgir pequenas manchas esbranquiçadas na mucosa da boca (manchas de Koplik), um sinal bastante característico da doença.

  1. Existe risco de morte?

O risco é maior em crianças menores de 5 anos, especialmente menores de 1 ano, gestantes, imunossuprimidos e adultos não vacinados. Podem ocorrer complicações como pneumonia e encefalite.

  1. Todo mundo deve tomar a vacina?

Moradores de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo devem se vacinar contra o sarampo, mesmo aqueles que já receberam doses anteriores da vacina tríplice viral, conforme nova recomendação do Ministério da Saúde. A orientação contempla pessoas de 6 meses a 59 anos, que poderão atualizar a caderneta de vacinação durante a Campanha de Multivacinação, realizada entre 3 de agosto e 1º de setembro.

  1. Não me lembro se tomei a vacina contra o sarampo no passado. E agora?

Quem não tem certeza sobre o histórico vacinal deve procurar um serviço de saúde para verificar a situação da caderneta de vacinação e atualizar as doses. Na ausência de comprovação, a orientação é seguir as recomendações do calendário vacinal conforme a faixa etária. A vacina tríplice viral é segura e continua sendo a principal medida de prevenção contra o sarampo.

  1. Como é a vacinação para adultos?

Pessoas com 20-29 anos podem tomar a versão tríplice viral (que protege ainda contra caxumba e rubéola) em duas doses, com intervalo mínimo de 30 dias entre elas. Dos 30 aos 59 anos, a vacina é aplicada em uma dose só – exceto para profissionais de saúde, que devem receber duas doses.

  1. Como é a vacinação para crianças?

No calendário de rotina, a 1ª dose da vacina tríplice viral deve ser aplicada aos 12 meses de idade. Aos 15 meses, a criança deve receber a 2ª dose, por meio da vacina tetraviral (que protege contra sarampo, caxumba, rubéola e varicela) ou da tríplice viral associada à vacina contra a varicela. Esse esquema de vacinação de rotina deve ser mantido independentemente da situação de surto ativo do sarampo no país.

  1. Existe tratamento para o sarampo?

Não existe tratamento específico para eliminar o vírus do sarampo. O manejo é de suporte e inclui repouso, hidratação, controle da febre e dos sintomas.

  1. O que se pode fazer para evitar o sarampo?

A principal forma de prevenção é manter a vacinação em dia. Além disso, pessoas com suspeita ou confirmação da doença devem permanecer em isolamento, evitar contato com indivíduos suscetíveis e manter os ambientes bem ventilados. Medidas de higiene respiratória, como cobrir boca e nariz com o antebraço ou lenço descartável ao tossir ou espirrar, lavar sempre as mãos, também ajudam a reduzir a transmissão.

Suspeitar de sarampo em qualquer paciente com febre e exantema maculopapular generalizado, associado a tosse e/ou coriza e/ou conjuntivite — especialmente com histórico de deslocamento (nacional ou internacional) nos últimos 21 dias ou contato com viajantes.

Fonte da Pauta | Beatriz Magalhães

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