Bruxas ou mulheres que sabiam demais?

Esta reportagem foi produzida a partir da entrevista de Ana Bottallo (Folhapress) sobre o lançamento do livro Bruxas

Muito antes dos hospitais, eram elas que eram chamadas quando alguém adoecia, uma criança estava para nascer ou uma família precisava de ajuda. Parteiras, benzedeiras e curandeiras construíram seus conhecimentos pela experiência e pela tradição, tornando-se figuras respeitadas em suas comunidades.

Mas como essas mulheres passaram a ser conhecidas como bruxas?

livro Bruxas, Parteiras e Enfermeiras: uma História de Mulheres que Curam, de Barbara Ehrenreich e Deirdre English, mostra que a perseguição às chamadas “bruxas” envolveu muito mais do que superstição. Muitas delas possuíam autonomia, influência e conhecimentos que escapavam ao controle das instituições religiosas e, mais tarde, da medicina oficial.

Isso não significa que todo conhecimento popular estivesse correto ou que a ciência devesse ser rejeitada. O livro propõe outra reflexão: por que tantos saberes femininos foram descartados sem sequer serem estudados?

A história guarda algumas ironias. Enquanto curandeiras eram desacreditadas, a medicina ainda defendia práticas hoje consideradas equivocadas, como as sangrias. No século XIX, o médico Ignaz Semmelweis demonstrou que a simples lavagem das mãos reduzia drasticamente a mortalidade materna — uma descoberta inicialmente rejeitada pela própria comunidade médica.

Séculos depois, a mesma desconfiança alcançaria outra figura feminina: a cartomante.

Muito procuradas no Brasil do século XIX, elas ouviam segredos, aconselhavam pessoas e conquistavam influência social. Ao mesmo tempo, eram condenadas pela Igreja, expostas pela imprensa e, muitas vezes, acusadas de charlatanismo ou curandeirismo. Curiosamente, algumas denúncias acabavam produzindo o efeito contrário: os jornais transformavam essas mulheres em figuras ainda mais conhecidas.

É claro que sempre existiram pessoas sérias e oportunistas. Mas reduzir todas essas mulheres a farsantes significa apagar parte da história de quem acolheu, orientou e cuidou de comunidades inteiras quando médicos e hospitais eram inacessíveis para grande parte da população.

“Talvez a pergunta mais importante permaneça atual: quantos conhecimentos desapareceram porque suas guardiãs foram silenciadas antes mesmo de serem ouvidas”?

Esta reportagem foi produzida a partir da entrevista de Ana Bottallo (Folhapress) sobre o lançamento do livro Bruxas, parteiras e enfermeiras: uma história de mulheres que curam, de Barbara Ehrenreich e Deirdre English (Editora Elefante, 2026), complementada com a consulta à obra e a materiais da editora.

As ervas carregam histórias, tradições e simbolizam o cuidado que atravessa gerações, assim como a cartomancia.

Se você sente que precisa renovar suas energias, encontrar mais clareza ou compreender melhor o momento que está vivendo, convido você a viver essa experiência comigo

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