Exame de sangue identifica risco de recidiva do câncer de pâncreas após a cirurgia

Exame de sangue identifica pacientes com maior risco de recidiva do câncer de pâncreas após a cirurgia. Entenda como a tecnologia funciona e o que revelou o estudo

Um exame de sangue identificou pacientes com maior risco de recidiva do câncer de pâncreas após a cirurgia ao detectar fragmentos microscópicos do tumor que passam despercebidos pelos exames convencionais. O estudo foi publicado na terça-feira (30/06) na revista científica Clinical Cancer Research.

A pesquisa acompanhou 106 pacientes com câncer de pâncreas localizado entre 2020 e 2024. Todos receberam quimioterapia antes da cirurgia para retirada do tumor. Os pesquisadores compararam dois métodos para detectar DNA tumoral circulante e verificaram que o teste mais sensível encontrou alterações em um número maior de participantes.

Os resultados indicam que o exame pode identificar pessoas com maior probabilidade de evolução desfavorável após o tratamento. Essa classificação permite uma avaliação mais precisa do risco durante o acompanhamento clínico.

Pesquisadores da Northwestern Medicine, nos Estados Unidos, conduziram o estudo. Ainda assim, a tecnologia precisa ser validada em novas pesquisas antes de chegar à prática clínica.

Exame de sangue analisa DNA do câncer de pâncreas

O teste procura pequenos fragmentos de material genético liberados pelas células cancerígenas na corrente sanguínea. A presença desse DNA tumoral circulante pode indicar que ainda existem células do câncer no organismo, mesmo após a quimioterapia e a cirurgia.

Os pesquisadores concentraram a análise em alterações do gene KRAS, presentes na maioria dos casos de câncer de pâncreas. Em seguida, compararam a PCR digital em gotas (ddPCR), técnica mais sensível, com o sequenciamento de nova geração (NGS), método já utilizado na prática clínica.

No momento do diagnóstico, o NGS detectou DNA tumoral em 17 dos 99 pacientes avaliados. Já a ddPCR encontrou esses fragmentos em 63 dos 97 participantes analisados. Assim, a técnica identificou alterações que o método convencional não detectou.

Sobrevida variou conforme o resultado do exame

Os pesquisadores também analisaram a relação entre os exames e a evolução dos participantes durante o acompanhamento. Aqueles com resultado positivo nas duas técnicas apresentaram sobrevida mediana de 10 meses.

Entre os pacientes identificados apenas pela ddPCR, a sobrevida mediana foi de 26 meses. Já os participantes sem sinais do tumor em nenhum dos exames alcançaram a melhor evolução, com mediana de 40 meses.

Os dados mostram que a técnica mais sensível diferenciou grupos com prognósticos distintos ao identificar alterações que o método convencional não revelou.

Tecnologia ainda não faz parte da rotina clínica

Ainda não existem exames incorporados à rotina capazes de detectar com precisão doença residual microscópica após o tratamento do câncer de pâncreas. Por isso, pesquisadores buscam métodos que identifiquem sinais do tumor antes do aparecimento de alterações nos exames convencionais.

estudo avaliou a capacidade do exame para estimar o risco de recidiva, mas não demonstrou redução no retorno da doença nem aumento da sobrevida. Antes da adoção clínica, a técnica precisará ser validada em pesquisas com um número maior de pacientes.

Fonte | Monique de Carvalho/Boa Notícia Brasil- O Lado Bom da Notícia

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