Cesta básica sobe em todas as capitais

Queda do café não impede alta da cesta básica

Os preços do café em pó e do óleo de soja recuaram na maior parte das capitais brasileiras em maio, enquanto o custo da cesta básica aumentou em todas as cidades pesquisadas. Os dados constam na Análise Mensal da Cesta Básica divulgada nesta quinta-feira (11), resultado de uma parceria entre a Companhia Nacional de Abastecimento e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos.

Segundo o levantamento, a melhora das perspectivas para a safra e o avanço da colheita contribuíram para a queda dos preços do café em pó em 23 capitais. A maior redução foi registrada em Campo Grande, onde o produto ficou 7,86% mais barato. No caso do óleo de soja, o aumento da oferta no mercado interno favoreceu o recuo dos preços ao consumidor, com destaque para Macapá, onde a queda chegou a 7,87%.

O cenário de maior disponibilidade também influenciou os preços do açúcar, que recuaram em 21 capitais. Em Macapá, a redução foi de 20,41%, a maior entre as cidades pesquisadas. A banana seguiu a mesma tendência, com a maior retração observada em Campo Grande, onde os preços caíram 10,84%.

Apesar da redução em alguns produtos, itens importantes da alimentação dos brasileiros ficaram mais caros em maio. Entre eles estão a batata, o tomate, a carne bovina, o feijão e o leite integral. O encerramento da safra das águas e o início da colheita da safra de inverno reduziram a oferta de batata, provocando aumentos em todas as capitais das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul monitoradas pelo estudo. Em São Paulo, a alta foi de 40,03%.

O tomate e a carne bovina de primeira também registraram aumentos em 26 capitais. Em Porto Alegre, o preço do tomate avançou 44,8%, enquanto a carne teve sua maior elevação em Porto Velho, com alta de 7,35%.

O feijão continuou pressionando o orçamento das famílias. O feijão-carioca, presente na cesta básica de 21 unidades da federação, registrou aumentos que variaram de 1,13% em Cuiabá a 31,36% em Macapá. O leite integral apresentou comportamento misto, com queda de 3,28% no Rio de Janeiro e aumento de 9,75% na capital amapaense.

Outro produto que apresentou valorização foi o arroz. O cereal ficou mais caro em 18 capitais. Em Palmas, o aumento chegou a 14,23%, enquanto Aracaju registrou queda de 9,04%.

Mesmo com o recuo de alguns alimentos, o valor total da cesta básica aumentou em todas as 27 capitais pesquisadas. A menor alta foi observada em Campo Grande, com avanço de 1,73%, enquanto Recife registrou o maior crescimento, de 8,05%.

São Luís apresentou o menor custo médio da cesta básica entre as capitais analisadas, com valor de R$ 651,15. Em seguida aparecem Aracaju, com R$ 652,73, Rio Branco, com R$ 689,11, Porto Velho, com R$ 689,88, e Maceió, com R$ 696,55. Na comparação com maio de 2025, a capital maranhense foi a única entre as mais baratas a registrar redução no custo médio dos alimentos, com queda de 2,52%.

No acumulado entre dezembro de 2025 e maio de 2026, a cesta básica ficou mais cara em todas as capitais pesquisadas. A média de aumento foi de 14,89%. São Luís registrou a menor elevação no período, de 3,45%. Também ficaram abaixo da média nacional cidades como Campo Grande, Macapá, Porto Alegre, Boa Vista, Brasília e São Paulo.

 

A parceria entre a Conab e o Dieese teve início em 2024 com o objetivo de ampliar o acompanhamento dos preços dos alimentos básicos no país. Desde agosto de 2025, os resultados passaram a contemplar 27 capitais brasileiras, contribuindo para o monitoramento da segurança alimentar e das políticas de abastecimento.

Agrolink – Seane Lennon

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