Condutor Fernando Balthazar dá detalhes deste ofício exercido com amor e que permite que trajetos sejam desbravados com segurança
As regiões Sul e do Planalto Serrano de Santa Catarina são incontestavelmente lugares privilegiados. A exuberância da natureza nos proporciona paisagens que enchem os olhos e transmitem paz. Como tesouro que são, esses pedaços do paraíso costumam estar escondidos e, para acessá-los, muitas vezes se faz necessário contar com um guia ou condutor. Fernando Balthazar exerce, há quatro anos, o ofício de condutor de visitantes com paixão e responsabilidade.

Ele tem como missão conduzir turistas e moradores locais interessados em desbravar as trilhas existentes nas imponentes encostas da Serra Geral. “Eu sempre tive uma vivência muito forte com o interior, pelo contato com a natureza desde a infância. Eu morava em uma propriedade rural, às margens da Lagoa do Jacaré, em Torres, no Rio Grande do Sul”, relata. Dessa forma, para além de uma profissão, ser condutor é considerado por ele um propósito.
Afinal, é a oportunidade de exaltar este patrimônio natural que nos foi concebido. Durante as conduções, ele contribui ao conscientizar sobre a importância de dar o devido valor às nossas terras. Este trabalho educativo iniciou quando veio morar em Orleans, em 1991, e passou a atuar no movimento escoteiro. “Fui chefe escoteiro por 14 anos, atuando voluntariamente. Fazíamos atividades ao ar livre com a garotada, como acampamento e trilhas”, relata.
Quando este ciclo findou, sentiu necessidade de manter o contato com a natureza. Fernando, que é formado em Direito e possui especialização em Educação Ambiental, decidiu participar do curso de condutor de visitantes elaborado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e pelo Instituto do Meio Ambiente (IMA), que o habilitou a atuar no Parque Nacional de São Joaquim e no Parque Estadual da Serra Furada.

“Para mim, as trilhas são, ao mesmo tempo, uma diversão e uma fonte de renda. Eu me divirto conduzindo, é uma coisa que é uma paixão, gosto bastante, pois faço amizades, levo amigos e sempre passo um dia bastante agradável. Isso não me cansa nem um pouco, eu consigo fazer dois ou três dias seguidos de trilhas sem nenhuma dificuldade. É um passatempo prazeroso”, afirma.
Trilhas disponíveis no Parque Nacional de São Joaquim
A área do Parque Nacional de São Joaquim abrange os municípios de Bom Jardim da Serra, Grão-Pará, Orleans, Urubici e Lauro Müller, tendo o Morro da Igreja e a Pedra Furada como cartões-postais. Segundo ele, para além da aventura proporcionada, a segurança é fundamental para que a experiência seja a mais positiva possível.

“No Parque Nacional, como envolve alguns riscos e tem que conhecer bem o local, a orientação é que as trilhas disponíveis sejam feitas com guia ou condutor. Principalmente, a trilha da Pedra Furada, que ingressa em volta do Morro da Igreja, em Urubici, vai até dentro da pedra e retorna. Esse percurso eu faço com mais frequência”, comenta.
Segundo ele, a trilha tem 8 quilômetros e duração que varia entre 4 e 5 horas. “As pessoas, tendo algum tipo de preparo físico, conseguem fazer sem muita dificuldade. Ela é uma trilha de nível médio e a gente sempre faz em um ritmo que seja possível para todos do grupo e com tempo para tirar foto, descansar, se alimentar e apreciar a paisagem em um ângulo de 360 graus. Até hoje, ninguém desistiu. Já levei desde jovens até pessoas com mais idade, sem nenhum tipo de problema”, explica.
Outra opção é a trilha do Cânion Três Barras e Nascentes do Rio Pelotas. “Esta é um pouco mais leve, embora sejam 10 quilômetros, ida e volta. Passamos por pontos onde estão as nascentes do Rio Pelotas, indo até a borda do cânion, na região onde conseguimos observar todas as Três Barras, de Orleans. É um visual muito bonito, que começa também no Morro

da Igreja, em Urubici, dentro da área do Parque Nacional”, descreve.
Trilhas disponíveis no Parque Estadual da Serra Furada
No Parque Estadual da Serra Furada, que abrange os municípios de Orleans e Grão-Pará, Fernando conduz por três trilhas: o Circuito da Canela Grande, o Circuito das Cachoeiras e o Salto da Piava, todos com acesso pela Sede Sul, na comunidade do Chapadão, em Orleans. “Tem outra, mas ainda está sendo preparada, que será uma travessia que vai até próximo à Serra Furada”, adianta.
“O Circuito da Canela Grande não é tão difícil e passa pela floresta primária existente ali, em um percurso em meio à vegetação, de 4.200 metros e duração que varia entre 3 e 4 horas. Ela é toda limpa e é possível fazer um sobe e desce. Tendo algum tipo de preparo, conseguimos fazer sem dificuldade”, conta.
Segundo Fernando, a depender do interesse do grupo, há um delicioso atrativo disponível no local. “Podemos agendar um almoço ou um café da tarde na pousada Aconchego ao Pé da Serra. É uma maneira de agregar valor ao trabalho da Ivonete e do Adalberto Selinger, que preparam com muito carinho. É possível fazer a trilha e retornar para a pousada para as refeições, que são muito boas”, opina.

Para os interessados em uma trilha mais curta, a indicação é o Salto da Piava. “Ela acaba sendo englobada pelo Circuito da Canela Grande. Tem 1.800 metros e é mais tranquila de fazer, ideal para as pessoas que não têm muita prática”, detalha. O Circuito das Cachoeiras, por sua vez, percorre um trecho de aproximadamente 3.000 metros, englobando oito cachoeiras. “Há pequenas, médias e alguns saltos. Também é um trajeto bem interessante e bonito dentro do Circuito da Canela Grande”.
Além das opções citadas, há ainda a trilha que dá nome ao Parque Estadual da Serra Furada. “Para a trilha da Serra Furada, o acesso se dá pela Sede Norte, em Grão-Pará, e somente alguns condutores estão habilitados pela necessidade de equipamentos de rapel e treinamento específico”, informa.
Mais uma opção de tirar o fôlego
Há, ainda, a trilha do Cânion Espraiado, que é um dos maiores do Brasil, localizado na divisa de Urubici com Grão-Pará. “Esta está fora do Parque Nacional, fica localizada em uma propriedade particular. O acesso se dá pelo Campo dos Padres, em Urubici”. Além do cânion, há outro atrativo, o Balanço Infinito, da Montanha Infinita, situado ainda mais no alto.

Orientações de segurança
O condutor explica que atua de abril a outubro. “É um período com clima mais propício, por não ser tão quente. Fora dele, os riscos são maiores também com animais peçonhentos e com a possibilidade de temporal repentino durante a execução da trilha”, justifica. Além disso, nestes meses, Fernando, que também é apicultor, não está tão envolvido com a criação de abelhas e a produção de mel. No entanto, é possível realizar a trilha em qualquer época do ano, com os demais condutores cadastrados nos sites do ICMBio e IMA.

Outro aspecto importante deste trabalho é a realização dos trâmites necessários, que incluem agendamento – junto ao ICMBio, ao IMA ou à propriedade particular – a fim de reservar a data, o cadastramento com toda a documentação necessária e o seguro aventura. Mais que o simples ato de conduzir um grupo com segurança, Fernando propõe uma imersão completa e enriquecedora pelos encantos da região, difundindo conhecimento sobre a história e a cultura que permeiam essas terras.
Aos interessados em contar com um profissional que possui preparo e profundo respeito pela natureza e pelo patrimônio local, basta entrar em contato pelo telefone (48) 99954-0136.







