Semana Cultural Indígena em Chapecó reforça memória e resistência com colaboração da Epagri

Segundo o censo demográfico do IBGE (2022), aproximadamente 2 mil indígenas vivem nas aldeias de Chapecó

A Epagri participou da Semana Cultural Indígena, contribuindo com diversas atividades realizadas entre 16 de abril e 15 de maio, em Chapecó. O evento celebra o Dia dos Povos Indígenas (19 de abril) e busca valorizar a história e a resistência dos povos originários no Oeste de Santa Catarina.

As atividades foram realizadas nas Terras Indígenas (TI) Condá, do povo Kaingang, Toldo Chimbangue, onde coabitam Kaingang e Guarani, e Araçá-í, do povo Guarani. A Semana Cultural recebeu um grande número de visitantes, entre autoridades, estudantes e representantes de entidades que atuam em diferentes áreas.

extensionista da Epagri, Josefina Aparecida Nunes de Carvalho, que há 12 anos desenvolve trabalhos junto aos povos originários, em Chapecó, afirma que “este é um momento muito importante, de resgate e valorização da memória cultural que precisa ser divulgada e preservada. As aldeias recebem diversos visitantes, que podem provar as comidas tradicionais e ver a diversidade presente nas manifestações culturais, como o artesanato, as danças, o canto, a pintura, a reza e o batismo indígena”, diz.

urante o evento, a Epagri foi responsável por preparar refeições para mais de 300 participantes, valorizando a culinária tradicional com pratos como feijoada, quirera no tacho, tatu cozido, bolo na cinza, fuá (feijão cozido em folhas), canjica e diversas outras especialidades típicas dos povos Kaingang e Guarani. “Sempre contamos com o apoio da Cleusa Rodrigues, nutricionista da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), e moradora da aldeia Toldo Chimbangue”, complementa Josefina. Além da participação na Semana Cultural Indígena, a Epagri desenvolve ações contínuas voltadas ao fortalecimento das comunidades, que incluem o acesso às políticas públicas, programas de capacitação, incentivo à troca de mudas e sementes, além do acompanhamento técnico permanente. As iniciativas têm como objetivo promover o desenvolvimento sustentável, valorizar os saberes tradicionais e garantir a segurança alimentar destas populações.

Parceria e caminhos colaborativos 

Segundo o censo demográfico do IBGE (2022), aproximadamente 2 mil indígenas vivem nas aldeias de Chapecó. Os saberes, as tradições e o legado desses povos permanecem vivos no cotidiano, seja no chimarrão, no artesanato, nas ervas medicinais ou nos nomes que marcam o território, presente inclusive, no estádio de futebol da cidade, a Arena Condá.

Por este motivo, Josefina destaca que é fundamental reconhecer a pluralidade cultural e étnica do povo catarinense. “Cada dia é um novo aprendizado. Aprendi a entender e a respeitar o tempo deles que é diferente do nosso. A conhecer melhor as ervas medicinais e da mata e a valorizar sua cultura”.

Nesse sentido, a Epagri constrói processos permanentes de planejamento colaborativo. Josefina salienta que é fundamental que os profissionais exercitem a observação e as trocas de experiências, criando espaços de participação, fortalecendo a autonomia e a autoestima destas populações.

Por: Karin Helena Antunes de Moraes, jornalista bolsista Epagri/Fapesc

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