Radioterapia mais curta para tratar câncer de mama é apresentada em congresso de oncologia

 A novidade provocou aumento na qualidade de vida das pacientes

Médicos do congresso anual da Sociedade Europeia de Oncologia Médica anunciaram uma novidade para combater o câncer de mama: uma radioterapia mais curta!

Os profissionais chegaram à conclusão depois de um estudo clínico de fase 3 com mais de mil pacientes. As cinco semanas semanais tradicionais deram espaço para um tratamento menor, de três semanas.

“Isso significará tratamentos menos pesados; estamos claramente caminhando para uma redução da carga terapêutica”, disse Sofia Rivera, oncologista-radiologista, chefe de Serviço do instituto francês Gustave-Roussy.

Estudo clínico

O estudo foi realizado com 1.265 pacientes durante cinco anos e comparou os efeitos de uma radioterapia padrão com um novo regime chamado de “hipofracionado”.

Todas as mulheres tinham câncer de mama nos gânglios linfáticos, ou seja, o tumor já não estava mais localizado e tinha-se espalhado.

Alguns dos pacientes receberam doses um pouco mais fortes, mas o total de consultas foi reduzido.

Tratamento reduzido

A eficácia da radioterapia mais curta já havia sido comprovada em casos onde o tumor estava localizado.

E era hora de descobrir se em cenários onde a doença se espalhou, o benefício seria o mesmo.

“A partir de estudos anteriores, sabia-se que a eficácia da radioterapia mais curta era a mesma no caso de um tumor localizado, mas para mulheres com envolvimento de gânglios linfáticos, não havia até agora nada que demonstrasse que o número de tratamentos pudesse ser reduzido”, disse Sofia em entrevista à AFP.

Benefícios da redução

As doses mais fortes geram desconfiança. Será que os efeitos secundários relacionados ao tratamento aumentariam? Os resultados acabaram com o temor.

“Temos uma taxa de sobrevivência global, sobrevivência sem recidiva e sem metástase que é ainda melhor”, disse a oncologista sobre a redução.

Além disso, reduzir o número de sessões é também limitar a quantidade de vezes que os pacientes precisam ir até o centro de tratamento.

“É realmente importante e deve aliviar o fardo para os pacientes e reduzir os custos para os sistemas de saúde”, explicou Charlotte Coles, oncologista e professora da Universidade de Cambridge.

Novos estudos

O próximo passo será tentar cinco sessões em uma semana para cânceres de mama com envolvimento de linfonodos.

Os estudos estão em produção e os primeiros resultados devem sair em pelo menos cinco anos.

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