Vai ciência! Pesquisadores descobriram que é possível bloquear a infecção pelo vírus Epstein-Barr (EBV) que leva à “doença do beijo”. O estudo foi conduzido no Fred Hutchinson Cancer Center, dos Estados Unidos.
Com a descoberta, os cientistas conseguiram impedir a entrada do vírus nas células, o que pode ajudar no desenvolvimento de tratamentos e vacinas no futuro.
O EBV é transmitido principalmente pela saliva e está presente na maioria da população adulta. Depois que a pessoa é infectada, o vírus permanece silencioso no corpo, de forma inativa. Ele fica dentro das células de defesa, e quando a imunidade baixa, a doença aparece em forma de bolhas na boca.
O que é a doença do beijo?
O vírus Epstein-Barr é um tipo de herpesvírus muito comum no mundo. Ele é transmitido principalmente pelo contato com saliva, por isso ficou conhecido como causador da “doença do beijo”.
Depois da infecção, o vírus não é eliminado. Ele fica “adormecido” nas células B, que fazem parte do sistema imunológico.
Na maioria das pessoas, o vírus não causa problemas. O organismo consegue mantê-lo sob controle, até que a imunidade baixa.
Quais doenças estão ligadas ao EBV?
Pesquisas recentes mostram que o vírus Epstein-Barr pode estar relacionado a diferentes doenças.
Entre elas:
- Lúpus eritematoso sistêmico
- Esclerose múltipla
- Covid longa
- Síndrome da fadiga crônica
O vírus também está associado a alguns tipos de câncer, como:
- Linfoma de Burkitt
- Carcinoma nasofaríngeo
Os cientistas investigam como o EBV interfere nas células de defesa e pode desencadear essas condições.
Por que é difícil combater o EBV?
O principal desafio é que o vírus consegue se ligar facilmente às células B do organismo.
Isso dificulta a ação de tratamentos, já que o EBV tem acesso direto às células do sistema imunológico.
Outro problema é que anticorpos desenvolvidos fora do corpo humano podem ser rejeitados, o que limita o uso em terapias.
Como os cientistas conseguiram bloquear o vírus?
Os pesquisadores criaram anticorpos com estrutura humana usando camundongos modificados geneticamente.
Ao todo, foram identificados 10 anticorpos monoclonais que atuam em partes específicas do vírus:
- Alguns impedem o vírus de se ligar às células
- Outros bloqueiam a entrada do vírus nas células
Segundo o pesquisador Andrew McGuire, esse tipo de anticorpo é difícil de desenvolver porque o EBV consegue atingir quase todas as células B.
O que os testes mostraram?
Nos testes em laboratório, um dos anticorpos conseguiu bloquear completamente a infecção pelo vírus.
Outro anticorpo apresentou proteção parcial.
Esses resultados ajudam a identificar pontos vulneráveis do EBV, o que também pode orientar o desenvolvimento de vacinas.
Quem pode se beneficiar dessa descoberta?
A descoberta pode ser importante para pessoas com imunidade baixa, como pacientes transplantados.
Esses pacientes usam medicamentos que reduzem a defesa do organismo, o que pode permitir a reativação do vírus.
O EBV pode causar uma complicação chamada distúrbio linfoproliferativo pós-transplante (PTLD), que é uma forma de câncer.
Evitar a ativação do vírus pode ajudar a reduzir esse risco.
Quando esse tratamento pode estar disponível?
A pesquisa ainda está em fase inicial.
Os próximos passos incluem:
- Testes de segurança em adultos saudáveis
- Estudos clínicos com pacientes de maior risco
Ainda não há prazo para que o tratamento esteja disponível, mas os resultados indicam um caminho promissor para o controle do vírus Epstein-Barr.
Fonte da Informação | Só Notícia Boa










