Curso de panificação nutracêutica da Epagri resgata saberes ancestrais sobre PANCs

O início do projeto foi em 2007, quando começaram a estudar plantas medicinais, que depois passaram a se chamar bioativas.

Um cheirinho delicioso tomou conta da Estação Experimental da Epagri em Itajaí (EEI) nos dias 9 e 10 de abril, durante o Curso de Panificação Nutracêutica, que há 15 anos ensina a comunidade rural a turbinar nutricionalmente as receitas com a adição de plantas alimentícias não convencionais (PANCs). Ao todo, foram executadas 12 receitas doces e salgadas na cozinha experimental do Centro de Treinamento, entre pães, biscoitos, tortas e até pizza.

“Sempre morei na zona rural e nunca tinha ouvido falar em tupinambor”, se espantou Noemir Raimundi, 55 anos, moradora do Arraial dos Cunha, em Itajaí. Ela complementa a renda da família com a fabricação artesanal de broa de coco, amendoim e fubá que aprendeu com a mãe e avó, e conta que se inscreveu no curso para aprender novas receitas. “Estou muito curiosa para testar em casa. Tudo que a Epagri ensina agrega ao nosso conhecimento”, disse Noemir, que também fez o curso de pratos à base de pitaya.

A professora aposentada Maria dos Santos Wernke, 63, não perde a chance de aumentar seu repertório de delícias sempre que a Epagri abre inscrição. Ela já fez, inclusive, o curso Flor-E-Ser, que estimula mulheres a empreenderem na agroindústria. Sua especialidade são as geléias com frutas de seu sítio: jabuticaba, banana, laranja, abacaxi e sabores inusitados como café e alho. Sua próxima empreitada será as conservas. “Gosto de criar sabores diferentes e aqui na Epagri é sempre um aprendizado maravilhoso”, elogia.

Extensionistas Márcio Nunes Palhano foi um dos instrutores

A extensionista social de Pomerode, Geisebel Patrício, destaca que as receitas ajudam a difundir o conhecimento sobre as PANCs, que são encontradas na natureza, especialmente em propriedades agroflorestais, e podem enriquecer a alimentação com custo zero. “Elas costumavam ser muito consumidas pelos nossos avós e bisavós. A pouca utilização no cardápio diário aconteceu por causa da monocultura que tomou conta da agricultura convencional. Com isso, a diversidade dessas plantas foi desaparecendo”, explica.

Do agricultor ao médico 

O curso de Panificação Nutracêutica foi elaborado a seis mãos pelos extensionistas Márcio Nunes Palhano, Geisebel Patrício e a gestora do Cetrei, Natália Kominkievicz, para dar suporte à pesquisa sobre o poder nutricional de plantas como ora-pro-nobis, tupinambor, tanchagem e beldroega. Natália conta que as receitas foram desenvolvidas aos poucos, num processo de tentativa e erro, para aproveitar os compostos benéficos das PANCs como flavonóides, polifenóis, antocianinas e ômega 3.

“O início do projeto foi em 2007, quando começaram a estudar plantas medicinais, que depois passaram a se chamar bioativas. O objetivo era promover o plantio e aproveitamento dessas plantas pelas famílias de agricultores na alimentação. Algumas receitas davam certo, outras não. Só depois do processo de desidratação das folhas e raízes para produzir a farinha que evoluímos”, relata.

O banquete altamente nutritivo contou com pães, biscoitos, bolos, tortas e pizza

Ela conta que, quando as receitas foram selecionadas, o primeiro curso foi dado aos funcionários da EEI para opinarem sobre o sabor e textura dos pães e bolos. “Depois trabalhamos com as extensionistas sociais para multiplicar a informação para professores, agentes de saúde, era um público bem diverso – de agricultor a médico”, lembra Natália. Ela conta que, a partir desse curso surgiram iniciativas bem sucedidas, como o Sítio Flora Bioativas, em Porto Belo.

“Através do projeto Microbacias, eles montaram uma unidade de beneficiamento para produzir farinha de ora-pro-nobis, açafrão da terra e tupinambor e se tornaram referência na região”, revela Natália.

Informações para a imprensa
Isabela Schwengber, assessora de comunicação da Epagri

Por Renata Rosa, jornalista bolsista da Epagri/Fapesc

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