Comunidade denuncia risco constante em rodovia e cobra medidas urgentes

A dificuldade também se estende ao acesso às residências

Entre a pressa dos veículos e a vulnerabilidade de quem vive às margens da Rodovia Juvenal José Silvano, em Içara, o medo se tornou rotina. Moradores do trecho entre os bairros Boa Vista e Coqueiros decidiram se mobilizar após uma sequência de acidentes e situações de risco, principalmente envolvendo crianças que dependem do transporte escolar. A comunidade agora cobra, com urgência, a instalação de lombadas e de um ponto de ônibus seguro antes que uma tragédia aconteça.

A paisagem tranquila, típica de área residencial, contrasta com a realidade enfrentada diariamente por quem mora às margens da rodovia. Sem acostamento adequado, com pouca sinalização e um longo trecho sem redutores de velocidade, o local se transformou em um ponto crítico para acidentes.

Segundo relatos dos moradores, os veículos trafegam frequentemente acima do limite permitido. Em alguns casos, as velocidades chegam a ultrapassar os 100 km/h, especialmente em um trecho de descida que favorece o ganho de velocidade.

A ausência de lombadas em um intervalo de aproximadamente um quilômetro é apontada como um dos principais fatores de risco. Entre dois pontos com redutores já existentes, motoristas aceleram sem controle, criando um cenário perigoso para pedestres e moradores.

Ida à escola

A situação se torna ainda mais preocupante nos horários em que crianças precisam aguardar o transporte escolar. Estima-se que cerca de dez crianças utilizem diariamente o ponto informal existente na beira da estrada que, na prática, não passa de uma estreita faixa de grama.

Sem abrigo, sem sinalização e sem qualquer proteção física, elas permanecem expostas ao fluxo constante de carros, caminhões e motocicletas. Moradora da região, Jessica Loren Cabral da Silva Vitório acompanha de perto essa realidade. Mãe de três crianças, ela descreve o cotidiano como um desafio permanente.

“É uma situação de risco o tempo todo. A gente fica ali esperando o ônibus com as crianças, seja no sol ou na chuva, sem nenhum abrigo. E os carros passam muito rápido, não reduzem a velocidade, mesmo vendo que tem gente na beira da estrada”, relata.

Jessica também chama atenção para o perfil do trecho, que combina descida e reta, favorecendo altas velocidades. “Os veículos vêm da lombada lá de cima já embalados. Quando chegam aqui, estão a mais de 100 quilômetros por hora. Não tem como parar a tempo se acontecer alguma coisa”, afirma.

Acidentes frequentes aumentam sensação de insegurança

Os relatos de acidentes recentes reforçam a preocupação da comunidade. Segundo moradores, as ocorrências têm sido frequentes; em alguns períodos, praticamente semanais.

Entre os casos citados, está a colisão entre um carro e um trator registrada há cerca de três semanas. Também houve um acidente envolvendo motocicleta, no qual uma mulher ficou ferida após ser arremessada com o impacto. “Não é algo isolado, é recorrente. Toda semana acontece alguma coisa. A gente já perdeu a conta”, diz a moradora.

Além disso, motociclistas são apontados como responsáveis por manobras perigosas constantes. Entre as infrações relatadas estão ultrapassagens pelo acostamento, circulação na contramão e práticas como empinar motos em alta velocidade.

Uma situação recente, envolvendo crianças que desembarcavam do transporte escolar, exemplifica o nível de risco. “Elas estavam descendo do ônibus e vieram dois motoqueiros em alta velocidade. Um na contramão, deitado na moto, e outro empinando, passando muito perto. Foi por pouco que não aconteceu algo grave”, relembra Jessica.

Falta de estrutura agrava cenário

Outro problema crítico apontado pelos moradores é a ausência total de infraestrutura para quem depende do transporte coletivo ou escolar. Sem um ponto de ônibus adequado, os moradores aguardam o transporte em um espaço improvisado, sem qualquer tipo de proteção. “É só um carreirinho de grama na beira da estrada. Se um carro perder o controle, não tem para onde correr”, explica Jessica.

A dificuldade também se estende ao acesso às residências. Sem acostamento, entrar ou sair de casa exige atenção redobrada e, muitas vezes, manobras arriscadas. “Até para entrar em casa é complicado. A gente precisa esperar muito, porque os carros não dão espaço e vêm muito rápido”, completa.

Mobilização da comunidade

Diante da falta de respostas e da sensação crescente de insegurança, os moradores decidiram agir. Um abaixo-assinado começou a circular entre as famílias da região, com o objetivo de formalizar as reivindicações. O documento deve ser levado à Prefeitura de Içara e, se necessário, também à Câmara de Vereadores.

Entre os principais pedidos estão a instalação de novas lombadas ao longo do trecho, com sugestão de ao menos duas no intervalo de um quilômetro, e a construção de um ponto de ônibus com abrigo e sinalização adequada. “A gente não está pedindo nada além do básico. É segurança, principalmente para as crianças. Se precisar ir até a Câmara, a gente vai. Se precisar insistir, a gente vai insistir. Porque depois que acontece uma tragédia, não adianta mais”, reforça a moradora.

Alerta antes que seja tarde

A principal preocupação dos moradores é que a situação já ultrapassou o limite do aceitável. Para eles, o cenário reúne todos os elementos de risco para um acidente grave: alta velocidade, falta de estrutura, imprudência no trânsito e presença constante de crianças.

“A gente vive com medo. Todo dia é uma apreensão. E o pior é saber que isso poderia ser evitado com medidas simples”, conclui Jessica.

Sinalização é priorizada antes de nova lombada

O chefe do Departamento de Trânsito, Willian Acordi Pizzetti, explicou o posicionamento do governo em relação às demandas dos moradores da Rodovia Juvenal Silvano.

“Recebemos a solicitação dos moradores para a implantação de uma lombada no local. A partir disso, realizamos inicialmente um estudo técnico preliminar, que apontou a necessidade de revitalizar toda a sinalização vertical ao longo da via. Já existiam duas lombadas em um intervalo de aproximadamente 800 metros, então entendemos que o primeiro passo seria melhorar a sinalização existente”, destacou.

Segundo ele, o trabalho de revitalização já foi concluído e agora uma nova análise está em andamento.

“Após a conclusão dessa etapa, estamos realizando um novo estudo técnico para avaliar a possibilidade de implantação de uma nova lombada no trecho indicado pelos moradores. A prioridade foi verificar se a melhoria na sinalização resolveria o problema. Caso isso não ocorra, seguimos analisando tecnicamente a viabilidade da nova intervenção”, completou.

Fonte | Por Alexandra Cavaler

 

Últimas notícias

Tentativa de homicídio mobiliza forças de segurança em Cocal do Sul

Uma ocorrência de tentativa de homicídio mobilizou equipes de...

Comissão de Saúde da Amrec discute ampliação de serviços dos Caps

A 3ª Reunião Ordinária da Comissão Intergestores Regional da...

Homem invade casa, agride mulher e é preso

Um homem de 38 anos foi preso após invadir...

Incêndio destrói carro em São Ludgero

Um automóvel foi completamente destruído por um incêndio na...

Serra recebe desafio de ciclismo

Lauro Müller volta a sediar neste fim de semana o...
Mensagens de natal

Notícias Relacionadas