Adoção conjunta, sem separação, foi confirmada pela Vara da Infância de Lages e marca um caso raro no Judiciário catarinense
Cinco irmãos acolhidos pelo sistema de proteção da infância passaram a viver, neste Natal, uma mudança definitiva em suas trajetórias. A adoção conjunta do grupo foi confirmada por sentença da Vara da Infância e Juventude da comarca de Lages, na Serra Catarinense, garantindo que as crianças permanecessem unidas em uma mesma família uma situação considerada atípica no sistema de adoção.
A decisão encerra um período de buscas extensas por pretendentes e inaugura uma nova etapa para os irmãos, agora integrados a um núcleo familiar que optou por acolhê-los sem separação.
Família se reorganizou para acolher os cinco irmãos
Os novos pais, que já tinham três filhos adultos, ampliaram a casa, ajustaram a rotina de trabalho e assumiram uma dinâmica completamente diferente. “Sempre quisemos uma família grande. Essa casa cheia era um sonho”, relatou a mãe, ao lembrar da chegada das crianças.
Inicialmente, o casal pensava em adotar dois irmãos, mas a história dos cinco mudou os planos. “Queríamos dois. Vieram cinco. Sabíamos que seriam nossos”, disse. Os filhos mais velhos participaram ativamente do processo e ajudaram, inclusive, a escolher os novos nomes das crianças, todos com a mesma letra inicial, como símbolo de pertencimento.
Processo exigiu adaptação e construção de novos vínculos
Segundo os pais, cada criança teve seu próprio tempo de adaptação. Atividades cotidianas, como ir ao mercado ou à igreja, passaram a ter outro significado. “Tudo com eles é diferente. No carro, as músicas mudaram, agora são infantis”, contou o casal.
Eles destacam que a decisão foi pautada pela união e pelo afeto. “Entendemos que não era sobre números, mas sobre manter os irmãos juntos. Hoje somos dez, e nosso coração está completo”, afirmaram.
Busca por adotantes envolveu diferentes regiões
Antes da adoção ser concretizada, equipes técnicas realizaram buscas por pretendentes em Santa Catarina, em outros estados e até fora do país. Apesar dos esforços, nenhuma família havia sido encontrada para acolher os cinco irmãos juntos.
A virada ocorreu a partir do trabalho técnico e sensível do serviço social do Judiciário, que identificou um casal com perfil emocional, afetivo e estrutural compatível com a adoção conjunta.
“Foi um trabalho construído com muita responsabilidade. Nosso papel foi aproximar histórias que precisavam se encontrar”, explicou a assistente social Lilian Hack Hellt, que atua há 14 anos na área. Segundo ela, esta foi a primeira adoção conduzida por ela envolvendo um grupo tão numeroso de irmãos sem separação.
Caso é considerado excepcional pelo Judiciário
Em situações semelhantes, é comum que irmãos sejam encaminhados a famílias diferentes, mantendo contato para preservação dos vínculos afetivos. “Não esperávamos a colocação em uma única família, mas o resultado foi positivo”, destacou Lilian.
O juiz Ricardo Alexandre Fiúza, responsável pelo caso, afirmou que a adoção conjunta exige comprometimento e sensibilidade. “É uma decisão que impacta vidas para sempre”, disse.
Em 2025, a comarca de Lages encaminhou dez crianças para adoção em quatro processos, incluindo entregas legais de bebês e adoções de grupos de irmãos.
Com informações: Visor Notícias





















