Brasil terá 1ª fábrica do mundo de curativos com pele de tilápia no Ceará

O Brasil vai ganhar a primeira fábrica do mundo voltada ao processamento em larga escala de pele de tilápia para uso médico. A unidade será construída em Jaguaribara, no interior do Ceará, com investimento inicial de R$ 52 milhões.

Como mostrou o Só Notícia Boa, a tecnologia nasceu de pesquisas da Universidade Federal do Ceará (UFC) e transforma a pele do peixe, normalmente descartada pela indústria, em um curativo biológico potente, usado no tratamento de queimaduras e feridas de difícil cicatrização. O projeto industrial é conduzido pelo Consórcio Biotec, por meio da Inova Medical.

A expectativa é de que a unidade possa atender parte da demanda do Sistema Único de Saúde (SUS) e levar uma tecnologia brasileira desenvolvida no Ceará para outros países. “Isso vai ajudar muita gente”, disse o CEO da Inova Medical, Luciano Foianesi, ao O POVO.

Curativo brasileiro pode reduzir custos no SUS

A pele de tilápia funciona como um curativo biológico que adere à região lesionada e pode ser utilizada em queimaduras de segundo e terceiro graus.

Uma das vantagens é reduzir a necessidade de trocas frequentes de curativos, procedimentos que podem provocar dor e exigir uso de medicamentos fortes.

Segundo dados apresentados pela empresa responsável pelo projeto, a tecnologia pode proporcionar uma redução de 52% nos custos totais do tratamento de queimaduras, na comparação com o método convencional. A técnica também pode diminuir o uso de analgésicos opioides e a necessidade de levar repetidamente o paciente ao centro cirúrgico para a troca dos curativos.

Produção poderá chegar a 12 mil peles por dia

Hoje, o laboratório da UFC consegue processar, em média, até 600 peles de tilápia por mês, usadas em pesquisas e atendimentos específicos.

Com a fábrica, a escala será completamente diferente. A previsão é alcançar 4,3 mil unidades por dia no primeiro ano de funcionamento comercial, com possibilidade de chegar a 12 mil peles diariamente em uma segunda fase de expansão.

Outra inovação será a forma de conservação.

Nova tecnologia

A nova tecnologia utiliza a liofilização, processo de desidratação que permite conservar o curativo sem refrigeração.

De acordo com os responsáveis pelo projeto, o produto poderá ter validade de até três anos em temperatura ambiente.

Antes da aplicação, o profissional de saúde precisará apenas reidratar o material com solução fisiológica.

Fábrica deverá gerar 200 empregos no Ceará

Jaguaribara foi escolhida por estar próxima ao Açude Castanhão, uma das principais regiões produtoras de tilápia do Ceará.

A iniciativa ainda tem um benefício ambiental. A pele, que antes poderia ser descartada como resíduo da indústria de pescado, passa a ser matéria-prima para um produto de alto valor médico.

A fábrica deverá criar inicialmente 200 empregos diretos em Jaguaribara, além de movimentar outros setores da economia da região. Parte dos profissionais deverá receber capacitação técnica com participação da UFC e de instituições parceiras.

Previsão para começar a funcionar

O cronograma prevê que, a partir de outubro de 2026, sejam necessários entre 15 e 18 meses para concluir a fábrica, instalar os equipamentos e realizar a validação dos lotes piloto.

Se todas as etapas ocorrerem como previsto, a operação poderá começar em janeiro de 2028. A produção para uso comercial ainda dependerá das etapas regulatórias e sanitárias exigidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

E a inovação brasileira poderá ganhar o mundo. México, Turquia e Portugal já demonstraram interesse na tecnologia para pesquisas e futuras aplicações.

É ciência feita no Brasil transformando algo que antes era descartado em tecnologia capaz de aliviar a dor, reduzir custos e ajudar milhares de pacientes.

Fonte | Só Notícia Boa

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