Argentina declara emergência por infestação de gafanhotos

Especialista avalia possibilidade de chegada ao RS

Na última sexta-feira, 26 de julho, o governo argentino decretou estado de emergência devido à infestação de gafanhotos nas províncias de Salta, Catamarca, La Rioja e Córdoba. Os insetos, avistados em grande número, preocupam pela densidade populacional, embora ainda não haja evidências de migração para outras áreas.

No Rio Grande do Sul, autoridades monitoram a situação, mas, segundo especialistas, os riscos são mínimos. “As temperaturas baixas e o clima não propício tornam a invasão ao estado quase inexistente,” afirma a Dra. Kátia Matiotti, taxonomista em gafanhotos e entomóloga pós-doutora pela PUCRS. “Além disso, as enchentes recentes e os dias muito frios não favorecem um ambiente interessante para os insetos.”

Os gafanhotos do gênero Schistocerca cancellata, com coloração amarronzada e capacidade migratória, formam enormes enxames que podem percorrer até 150 km por dia em busca de alimento e condições favoráveis à reprodução. “O aquecimento global e o desequilíbrio ambiental são fatores que favorecem a formação dessas nuvens de gafanhotos,” explica Matiotti. “Temperaturas altas, ambientes secos e a eliminação de inimigos naturais, como pássaros e sapos, contribuem significativamente para essa situação.”

Historicamente, o Brasil também já enfrentou severas infestações de gafanhotos, com relatos no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina entre 1946 e 1948, causando prejuízos em diversos cultivos, como trigo, cevada, milho e feijão. “As nuvens de gafanhotos são uma das pragas agrícolas mais importantes e recorrentes na história,” destaca Matiotti. “Elas se formam quando a densidade populacional e fatores climáticos favoráveis induzem modificações fisiológicas nos insetos, tornando-os mais escuros e gregários.”

Para o controle das infestações, Matiotti sugere um manejo rigoroso e contínuo, especialmente no estágio ninfal. “Os locais de postura devem ser periodicamente monitorados para verificar eclosões dos ovos,” aconselha. “Em estágios mais avançados, o controle químico pode ajudar a diminuir a densidade populacional, sendo realizado por via aérea ou terrestre.”

Embora não ofereçam perigo direto à saúde humana, os gafanhotos são altamente prejudiciais às lavouras, ameaçando principalmente culturas permanentes, hortaliças e monoculturas de trigo, aveia, café, arroz e cevada. “A vigilância e o controle são essenciais para proteger nossas plantações e garantir a segurança alimentar,” conclui Matiotti.

Agrolink – Aline Merladete

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