Celular para trabalhar, computador durante o expediente e televisão para relaxar no fim do dia. A rotina, cada vez mais conectada, faz com que grande parte da população permaneça por horas em frente às telas. Em um levantamento realizado em 2025 pela OECD Education and Skills, o Brasil está entre os países com maior tempo de uso recreativo de telas, com quase metade dos entrevistados relatando permanecer mais de cinco horas por dia diante de dispositivos digitais. No Dia Mundial da Saúde Ocular, celebrado hoje, dia 10, o alerta é para a importância de adotar hábitos que preservem a visão e reconhecer os sinais de que os olhos precisam de atenção.
Segundo a médica oftalmologista, especialista em córnea e superfície ocular, Dra. Gabriela Zambon, o uso excessivo de telas não costuma causar danos permanentes aos olhos, mas pode desencadear um conjunto de sintomas conhecido como ‘Fadiga Ocular Digital’. Além disso, o excesso de tempo em ambientes fechados, principalmente entre crianças, está associado ao aumento da miopia. “O problema não é apenas a tela em si, mas também a forma como a utilizamos e o tempo que passamos diante dela”, explica.
A especialista destaca que, ao permanecer por muito tempo olhando para telas, a frequência do piscar diminui. Com isso, a lágrima evapora mais rapidamente, deixando a superfície dos olhos ressecada. Como consequência, podem surgir desconforto, sensação de areia, ardor e visão embaçada temporária. “Além disso, manter o foco por longos períodos exige um esforço contínuo dos músculos responsáveis pela acomodação, o que contribui para a sensação de cansaço visual”, destaca a especialista.
Principais sintomas do excesso de tela
Entre os sintomas mais comuns relacionados ao excesso de exposição às telas estão olhos secos, vermelhidão, ardor, lacrimejamento, sensação de areia, visão embaçada que melhora ao piscar, dificuldade para manter o foco, dor de cabeça, sensação de peso nos olhos e maior sensibilidade à luz, principalmente ao final do dia.
Atenção deve ser redobrada com crianças e adolescentes
Quando o assunto é tempo de exposição a telas, a atenção deve ser ainda maior com crianças e adolescentes. Conforme a oftalmologista, a infância é uma fase em que os olhos ainda estão em desenvolvimento e, atualmente, já se sabe que o excesso de atividades de perto, aliado à redução do tempo ao ar livre, aumenta o risco de desenvolvimento e progressão da miopia. “Por isso, além de limitar o tempo de tela de acordo com a idade, é importante incentivar brincadeiras ao ar livre, que têm efeito protetor para a saúde ocular”, orienta Gabriela.
Hábitos que fazem a diferença
Apesar dos riscos, pequenas mudanças na rotina podem ajudar a preservar a saúde dos olhos. Ainda conforme a especialista, realizar pausas regulares durante o uso de dispositivos eletrônicos, seguindo a regra ‘20-20-20’: a cada 20 minutos, olhar por 20 segundos para um ponto localizado a cerca de seis metros de distância. Também é importante lembrar de piscar conscientemente, manter a tela entre 50 e 70 centímetros de distância e posicioná-la um pouco abaixo da linha dos olhos.
Outras medidas incluem ajustar o brilho e o contraste da tela conforme a iluminação do ambiente, evitar longos períodos de uso contínuo (especialmente antes de dormir) e manter acompanhamento oftalmológico regular. “Muitas vezes os sintomas atribuídos ao excesso de telas podem estar relacionados à necessidade de uso de óculos, ao olho seco ou a outras condições que precisam de tratamento”, completa a médica.
Fonte | Içara News




