Santa Catarina se destaca no país pela alta taxa de doadores de sangue

Com índice acima da média nacional e forte cultura de doação voluntária, estado mantém um dos sistemas mais estruturados do Brasil e reforça a importância da doação regular

Santa Catarina é referência nacional quando o assunto é doação de sangue. O estado registra uma das maiores taxas de doadores do país e mantém um dos sistemas de hemoterapia mais estruturados do Brasil. De acordo com dados do Ministério da Saúde, Santa Catarina contabiliza 9,56 doadores de sangue para cada mil habitantes, índice superior à média nacional, de 9,4 doadores por mil habitantes.

Esse cenário é resultado de uma cultura consolidada de doação voluntária e contínua, essencial para garantir o funcionamento dos serviços de saúde. Afinal, transfusões são necessárias diariamente para atender pacientes em diferentes situações clínicas, e os estoques precisam ser mantidos ao longo de todo o ano, não apenas em períodos de campanhas.

Segundo Flávia Ghisoni, médica da área de clínica médica do AmorSaúde, rede de clínicas parceiras do Cartão de TODOS, o sangue é um recurso insubstituível para a assistência médica.

“A doação de sangue é fundamental porque não existe substituto artificial capaz de reproduzir todas as funções do sangue humano. E os estoques dos hemocentros são essenciais para garantir atendimento seguro a milhares de pacientes diariamente”, explica.

Quando o sangue doado é utilizado?

A necessidade de transfusões vai muito além de situações de emergência. O sangue doado pode ser utilizado em diversos tratamentos e procedimentos médicos, beneficiando diferentes perfis de pacientes. Entre as principais situações estão:

Acidentes com grande perda de sangue;

Cirurgias de alta complexidade;

Tratamentos contra o câncer;

Transplantes de órgãos;

Complicações durante a gestação e o parto;

Doenças hematológicas que exigem transfusões frequentes.

A médica destaca que uma única doação pode salvar até quatro vidas. “Muitas vezes, uma única doação pode beneficiar mais de uma pessoa, já que o sangue é separado em diferentes componentes, como hemácias, plaquetas e plasma”.

Quem pode doar sangue?

Embora existam critérios específicos definidos pelos hemocentros, a doação é destinada, de forma geral, a pessoas em boas condições de saúde e que atendam aos requisitos de segurança estabelecidos para proteger tanto o doador quanto o receptor.

Antes da coleta, todos os voluntários passam por uma entrevista clínica, que avalia diferentes aspectos relacionados ao estado de saúde.

Entre os critérios básicos para doação listados pelo Ministério da Saúde estão:

1) Idade: ter entre 16 e 69 anos, (menores de 18 anos precisam apresentar consentimento formal do responsável legal). Pessoas com mais de 60 anos só poderão doar sangue se já o tiverem feito antes dos 60 anos.

2) Peso corporal: mínimo de 50 kg.

3) Frequência: mulheres podem doar sangue três vezes ao ano, já os homens, quatro;

4) Intervalo: o tempo mínimo entre uma doação de sangue e outra é de dois meses para homens e de três meses para mulheres;

5) Alimentação: evitar alimentos gordurosos nas 3 horas que antecedem a doação de sangue. Caso seja após o almoço, aguardar 2 horas.

6) Sono: ter dormido ao menos seis horas nas últimas 24 horas.

Em relação aos fatores que impedem a doação de sangue, o Ministério da Saúde prevê:

Gripe, resfriado e febre: esperar sete dias após o desaparecimento dos sintomas;

Dengue: um mês após a cura;

Gestantes: não podem doar sangue durante a gestação e no pós-parto devem esperar 90 dias para parto normal e 180 dias para cesariana;

Amamentação: aguardar até 12 meses após o parto;

Ingestão de bebida alcoólica: se ingerida nas 12 horas que antecedem a doação;

Tatuagem e/ou piercing: se feitos nos últimos 12 meses;

Região do piercing: em cavidade oral ou região genital impedem a doação;

Extração dentária: aguardar 72 horas;

Apendicite, hérnia, amigdalectomia, ressecção de varizes: esperar três meses;

Colecistectomia, histerectomia, nefrectomia, redução de fraturas, politraumatismos sem sequelas graves, tireoidectomia: aguardar 6 meses;

Exames/procedimentos com utilização de endoscópio: se realizados nos últimos seis meses;

Transfusão de sangue: se realizada nos últimos 12 meses;

Vacinação: o tempo de impedimento varia de acordo com o tipo de vacina;

Ter sido exposto a situações de risco acrescido para infecções sexualmente transmissíveis: aguardar 12 meses após a exposição.

“Esses critérios existem para garantir a segurança de todos os envolvidos no processo”, afirma Flávia Ghisoni.

Cuidados antes e depois da doação

Algumas medidas simples ajudam a tornar a experiência mais segura e confortável para o doador.

Antes da doação, a recomendação é:

Estar bem hidratado;

Fazer uma alimentação adequada;

Evitar comparecer em jejum.

Após a coleta, é importante:

Continuar ingerindo líquidos;

Permanecer em repouso pelo período orientado pela equipe;

Evitar atividades físicas intensas e grandes esforços nas horas seguintes.

“Esses cuidados simples ajudam a reduzir o risco de mal-estar e tornam a experiência mais confortável para o doador”, orienta a especialista.

A importância da doação regular

Embora campanhas de mobilização sejam importantes para aumentar a conscientização, a necessidade de sangue é permanente. Acidentes, cirurgias, tratamentos oncológicos e outras demandas hospitalares acontecem diariamente, tornando fundamental a manutenção dos estoques durante todo o ano.

Para a médica, transformar a doação em um hábito é a melhor forma de garantir que o sistema de saúde consiga atender quem precisa. “A necessidade de sangue existe todos os dias. Quando as pessoas doam apenas em momentos de emergência, os estoques podem oscilar muito. Já a doação frequente e voluntária ajuda a manter um abastecimento mais estável e seguro ao longo de todo o ano”.

Flávia ressalta que Santa Catarina demonstra como o compromisso coletivo pode fazer a diferença. “Santa Catarina é um excelente exemplo de como a conscientização da população pode fazer diferença. Cada doação representa uma oportunidade de salvar vidas e garantir que o sistema de saúde esteja preparado para atender quem precisa”.

Fonte | Nayara Campos – assessora de imprensa do Cartão de TODOS e do AmorSaúde

Últimas notícias

Vacina contra HPV leva mortes por câncer de colo do útero a zero entre jovens na Inglaterra

A vacina contra HPV levou a zero as mortes...

Acidente deixa 4 feridos e mobiliza bombeiros e equipes do Samu na madrugada

Um acidente de trânsito registrado na noite deste sábado...

Bombeiro é morto a facadas durante discussão em SC

A cidade de Palma Sola, no Extremo Oeste de...

Mais três suspeitos são presos por morte de jovem em salto de rope jump em SP

Mais três suspeitos foram presos neste sábado (20) durante...

Santa Catarina registra 1.910 pinguins mortos em 2026

Santa Catarina já registrou 1.910 pinguins-de-magalhães mortos em 2026,...

Notícias Relacionadas