Nos idos de 1800, principalmente a partir de 1877, o Sul de Santa Catarina virou destino de imigrantes europeus, sobretudo italianos, que fundaram na região a Colônia Azambuja. Esse povo trouxe consigo muita vontade de trabalhar e um conhecimento ancestral para produção de uvas. Foi assim que o Sul catarinense se tornou uma referência estadual na produção da fruta, que permanece até hoje.
O levantamento mais recente da Epagri, da safra 2020/21, mostra que as regiões de Criciúma e Tubarão contam com 118 produtores de uva, tanto de mesa como para produção de vinho. São 290,6 hectares plantados, produzindo 4.685,50 toneladas, resultando em um Valor Bruto da Produção (VBP) de R$11.925.450,00. Segundo Eusébio Pasini Tonetto, extensionista e Responsável pelo Programa de Fruticultura da Epagri no Sul Catarinense, o levantamento está sendo refeito neste ano, mas os dados de 2021 ainda refletem bem a realidade regional.
O apoio à produção vinífera por parte da Epagri é histórico e vai muito além do levantamento de números. A parte mais visível se traduz na obtenção da indicação geográfica (IG) Vales da Uva Goethe, que teve apoio da Empresa.
A ação mais recente relacionada ao cultivo da fruta no Sul do Estado foi o Curso de produção de Uvas, que se propôs a apoiar desde os iniciantes no cultivo, até aqueles que já possuem experiência. Foram duas etapas, realizadas em 29 de abril e 21 de maio, com organização da extensionista do escritório municipal da Epagri de Urussanga Maria Eduarda Botelho de Souza, em colaboração com Eusébio Tonetto.
Cursos básico e avançado
A primeira etapa contemplou o Curso Básico de Produção de Uva para Iniciantes, voltado principalmente aos produtores que estão ingressando na atividade. As palestras foram ministradas por profissionais da Epagri: o gerente da Estação Experimental em Urussanga, Stevan Arcari, o extensionista rural Henrique Viana e os pesquisadores Leandro Hahn e Mauro Ferreira. Foram abordados os fundamentos essenciais para implantação e condução de vinhedos.

A segunda etapa foi dedicada ao Curso Avançado de Produção de Uva. Os participantes conheceram estratégias de adaptação ao clima da região, técnicas de vinificação e o projeto de pesquisa Uvas Piwi, que desenvolve uvas adaptadas a Santa Catarina para produção de vinhos de forma mais sustentável. Os participantes receberam informações dos pesquisadores da Epagri Henrique Petry, André Kulkamp, Valdecir Perezolli e Nelson Weber, além de Alberto Fontanella Brighenti, professor do Núcleo de Estudos da Uva e do Vinho (Neuvin) do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). De acordo com Tonetto, as discussões incentivaram a implantação de alternativas adaptadas às condições climáticas locais e às novas demandas da vitivinicultura.
Após o encerramento, os participantes participaram de uma degustação de vinhos elaborados com variedades Piwi produzidas em Urussanga e vinificadas na Estação Experimental da Epagri em Videira. A atividade contou com a presença de viveiristas, produtores de uva e de vinho e pesquisadores envolvidos no projeto Piwi para a região e para o Estado, incluindo Rubens Onofre Nodari e Emilio Dalla Bruna, referências na área de vitivinicultura.
Tonetto afirma que iniciativas como o curso “reforçam o compromisso da Epagri com o fortalecimento da cadeia produtiva da uva e com o desenvolvimento da vitivinicultura regional”.

Busca por variedades adaptadas é histórica e constante
De acordo com o extensionista, a busca por variedades de uvas adaptadas ao clima do Sul do Estado e que possam ser produzidas com sustentabilidade é uma ação histórica e constante, que teve início lá na colonização italiana. Ele, que é um dos autores da obra “Colônia Azambuja: a imigração italiana no sul de Santa Catarina”, conta que os primeiros colonos já testavam variedades adaptadas às condições de clima e de solo locais.
Entre as várias uvas que costumavam cultivar, a Goethe se adaptou muito bem ao território, tendo sofrido inclusive uma mutação genética espontânea na região, “que era de fato a uva se adaptando”, explica. “E essa uva acabou ficando aqui na região, porque produzia um vinho muito semelhante àquele que os imigrantes estavam acostumados lá no Norte da Itália”, detalha. “Além da adaptação, ela teve essa relação com as pessoas que estavam aqui”, ensina o extensionista.

Ele entende que o vinho da uva Goethe, além de ser um produto material, tem relevante valor imaterial. “É um produto que representa esse processo de colonização, esse processo de exploração do território”. Com base nessa premissa, o extensionista prevê um futuro promissor para a produção de uva no Sul do Estado, levando em conta também o potencial para desenvolvimento do turismo rural local.
Fonte | Epagri





