Contrato de primeiro emprego aprovado no Senado abre caminho para jovens sem experiência

O Senado aprovou o contrato de primeiro emprego, programa que reduz FGTS e encargos trabalhistas para incentivar empresas a contratar jovens de 18 a 29 anos sem experiência formal. A proposta busca ampliar o acesso à carteira assinada, estimular permanência nos estudos e facilitar a entrada no mercado de trabalho.

contrato de primeiro emprego aprovado pelo Senado na quarta-feira (27/05) tenta enfrentar uma das principais barreiras da juventude brasileira: conseguir a primeira oportunidade formal de trabalho sem já ter experiência profissional. O projeto cria incentivos para empresas contratarem jovens de 18 a 29 anos que nunca tiveram carteira assinada, reduzindo encargos como FGTS e contribuição patronal à Previdência Social.

A proposta, que segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mira um problema histórico do mercado de trabalho brasileiro. Milhões de jovens entram na vida adulta sem conseguir romper o ciclo da informalidade porque esbarram na exigência de experiência prévia até para vagas iniciais.

Mais do que uma mudança trabalhista, o programa de primeiro emprego tenta aproximar educação, qualificação e acesso ao trabalho formal, especialmente para estudantes do ensino superior, educação técnica e Educação de Jovens e Adultos (EJA).

O impacto mais imediato aparece no custo da contratação. Com menos encargos trabalhistas, empresas podem ampliar a abertura de vagas para quem nunca trabalhou formalmente. Isso influencia renda familiar, independência financeira e construção de carreira para jovens que buscam a primeira carteira assinada.

O que é o contrato de primeiro emprego

O contrato de primeiro emprego é um programa aprovado pelo Senado que reduz encargos trabalhistas para estimular a contratação de jovens de 18 a 29 anos sem experiência formal e sem carteira assinada.

A proposta prevê redução da alíquota do FGTS e da contribuição patronal à Previdência Social para empresas que aderirem ao programa.

Poderão participar jovens matriculados no ensino superior, educação profissional e tecnológica ou Educação de Jovens e Adultos. Quem já concluiu ensino superior ou formação técnica também poderá ser contratado.

Programa tenta quebrar ciclo que dificulta a primeira oportunidade profissional

O principal aspecto positivo do contrato de primeiro emprego é o reconhecimento de uma distorção histórica do mercado brasileiro: empresas frequentemente exigem experiência até mesmo para funções de entrada.

O autor do projeto, senador Irajá (PSD-TO), afirmou que a proposta busca beneficiar cerca de 10 milhões de jovens brasileiros que enfrentam dificuldade para conseguir a primeira oportunidade profissional.

Sem acesso ao primeiro emprego formal, muitos trabalhadores iniciantes permanecem na informalidade, em ocupações temporárias ou fora do mercado. Isso afeta renda, estabilidade financeira e até continuidade nos estudos.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a informalidade segue mais presente entre trabalhadores jovens, especialmente entre aqueles que ainda tentam conseguir a primeira experiência profissional.

Além da renda, a carteira assinada pode abrir acesso a direitos trabalhistas, facilitar futuras contratações e dar ao jovem a experiência exigida pelo próprio mercado.

O texto aprovado pelo Senado também reforça uma pauta crescente no país: ampliar a empregabilidade juvenil e acelerar a inclusão produtiva da juventude.

Contrato de primeiro emprego: Redução de encargos pode aumentar contratação nas pequenas empresas

O texto aprovado reduz custos trabalhistas para estimular empresas a contratar jovens em início de carreira.

A alíquota do FGTS cai de 8% para:

  • 2% nas microempresas;
  • 4% nas empresas de pequeno porte, entidades sem fins lucrativos, filantrópicas, associações e sindicatos;
  • 6% nas demais empresas.

Além disso, a contribuição patronal à Seguridade Social será reduzida de 20% para 10% do salário do trabalhador contratado pelo programa.

O efeito econômico dessa mudança pode ser mais significativo entre pequenos negócios, que normalmente possuem menos margem financeira para ampliar equipes. Segundo o Sebrae, micro e pequenas empresas concentram grande parte dos empregos formais gerados no Brasil, o que amplia o potencial de alcance da proposta.

Na prática, o projeto tenta transformar a redução de encargos em incentivo à contratação de jovens.

Isso pode ampliar vagas em setores que tradicionalmente empregam trabalhadores iniciantes, como comércio, serviços, atendimento, logística e operações administrativas.

Ao reduzir custos para empresas, o programa também pode estimular a formalização do trabalho juvenil, ainda fortemente concentrado em vínculos temporários e informais.

Por que jovens enfrentam dificuldade para conseguir o primeiro emprego

Uma das principais barreiras para quem tenta entrar no mercado é justamente a falta de experiência profissional formal.

Muitas empresas priorizam candidatos que já passaram por empregos anteriores, criando um ciclo que dificulta o acesso de jovens à primeira vaga com carteira assinada.

Sem oportunidade formal, parte da juventude acaba migrando para ocupações informais, trabalhos temporários ou atividades sem estabilidade profissional.

Esse cenário impacta diretamente renda, planejamento financeiro e perspectivas de crescimento profissional no início da vida adulta.

O contrato de primeiro emprego tenta reduzir essa barreira ao diminuir o custo da contratação para empresas e ampliar oportunidades para trabalhadores iniciantes.

Educação passa a funcionar como ponte para o emprego formal

Outro aspecto positivo do programa é a conexão direta entre estudo e mercado de trabalho.

A medida fortalece uma tendência cada vez mais valorizada pelas empresas: integrar qualificação e experiência profissional desde o início da vida adulta.

Para muitos estudantes, conseguir a primeira vaga formal também pode significar continuar estudando sem precisar abandonar cursos por dificuldade financeira.

Ao aproximar educação e empregabilidade, o contrato de primeiro emprego também amplia o valor da formação técnica e profissionalizante, frequentemente apontada como estratégica para reduzir o desemprego juvenil.

O modelo aproxima formação profissional e experiência prática, combinação cada vez mais exigida no mercado de trabalho.

Contrato pode funcionar como porta de entrada para efetivação

O projeto prevê contratos mínimos de seis meses, com até três prorrogações, respeitando o limite máximo de 24 meses.

Apesar do prazo determinado, o texto permite que a contratação se torne permanente a qualquer momento.

Especialistas em mercado de trabalho apontam que a primeira experiência com carteira assinada costuma influenciar empregabilidade, renda e estabilidade profissional ao longo dos anos seguintes.

Para muitos jovens, a primeira contratação formal representa mais do que experiência profissional. Significa independência financeira, ajuda no orçamento da família e possibilidade concreta de iniciar uma carreira.

A experiência adquirida nesse período também pode reduzir uma das maiores barreiras enfrentadas por jovens em início de carreira: a falta de histórico profissional.

Contrato de primeiro emprego: Senado manteve foco exclusivo na juventude

Durante a tramitação, o relator Renan Calheiros (MDB-AL) retirou do texto dispositivos incluídos pela Câmara dos Deputados que criavam incentivos para contratação de trabalhadores acima de 50 anos desempregados há mais de 12 meses.

Segundo o senador, a mudança desviava o foco do projeto original.

A alteração manteve o foco do programa na inserção profissional da juventude e na ampliação do acesso ao primeiro emprego formal.

Dentro desse contexto, o contrato de primeiro emprego passa a ser visto como uma tentativa de reduzir a distância entre qualificação, oportunidade e entrada no mercado de trabalho.

Fonte | Caroll Medeiros

Caroll Medeiros é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Integra a equipe do Boa Notícia Brasil, contribuindo com reportagens pautadas por checagem rigorosa, ética profissional e compromisso com temas de interesse público.

 

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