O dia 2 de abril é considerado, há quase 20 anos, o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo. A data foi designada durante Assembleia Geral das Nações Unidas em 2007 e busca chamar a atenção para a falta de tratamentos especializados,diminuir a discriminação e fomentar a inclusão de pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) em sociedade. Incluir, contudo, não é apenas inserir o indivíduo em um contexto social, mas proporcionar equidade de tratamento, acessoà educação, garantia de direitos e assistência adequada para cada caso.
Segundo a psicóloga e coordenadora do curso de Psicologia da Univali, Luciane Gobbo Brandão, o TEA é uma condição do neurodesenvolvimento que se manifesta desde a infância e acompanha o indivíduo ao longo da vida. “O espectro autistaenvolve, principalmente, diferenças na comunicação, na interação social e na forma como a pessoa percebe e se relaciona com o mundo. Quando falamos em ‘espectro’, estamos reconhecendo que não existe um único tipo de autismo e cada pessoaapresenta características, potencialidades e necessidades próprias”, afirma a especialista, que estuda o transtorno desde 1994.
Para a pesquisadora, entender as características do sujeito e ir além do diagnóstico são atitudes fundamentais para garantir a autonomia e o desenvolvimento do indivíduo. “O acompanhamento adequado é fundamental e o acompanhamento não pode pararno diagnóstico. A pessoa precisa de oportunidades de estimulação, acolhimento e inclusão real. Com o suporte qualificado, envolvendo psicologia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, escola e família, conseguimos favorecer o desenvolvimento dacomunicação, da autonomia, das habilidades sociais e da qualidade de vida”, fomenta Luciane.
A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) estima que uma em cada 160 crianças tenha o TEA. Esse diagnóstico costuma estar acompanhado de outras condições, como epilepsia, ansiedade, depressão e Transtorno do Déficit de Atenção eHiperatividade (TDAH). O tempo para identificar essa condição pode variar bastante em cada caso. Em algumas pessoas, os sinais já podem ser percebidos ainda na infância, especialmente por volta dos 2 anos de idade.
“Importante deixar claro que o diagnóstico não é imediato, ele exige uma avaliação cuidadosa, feita por uma equipe multiprofissional. Esse processo envolve escuta da família, observação clínica, instrumentos específicos e, muitas vezes,acompanhamento ao longo do tempo”, complementa a especialista, que defende a promoção do desenvolvimento integral e respeitoso de cada indivíduo.
Em Santa Catarina, 91,6 mil pessoas possuem diagnóstico de autismo, sendo 37,4% do sexo feminino e 62,6% do sexo masculino. Cerca de um quarto desse total (27,2%) são de crianças de até nove anos. Esse dado corresponde a 1,2% da população residenteno estado, conforme dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Centro de Atendimento à Pessoa com Transtorno do Espectro Autista da Univali
Diante deste cenário, a Universidade do Vale do Itajaí (Univali) mantém, em parceria com as prefeituras de Itapema, no Litoral Norte, e Tijucas, na Grande Florianópolis, duas unidades do Centro de Atendimento à Pessoa com Transtorno do EspectroAutista (CAP-TEA). A iniciativa busca reafirmar a missão da instituição comunitária em transformar conhecimento acadêmico em serviço público de qualidade.
“Espaços como os CAP-TEA são fundamentais para o desenvolvimento das pessoas com autismo porque oferecem acompanhamento especializado, intervenções precoces e suporte multiprofissional. Esses espaços contribuem para o desenvolvimento cognitivo,social e emocional, além de promover autonomia, inclusão social e apoio às famílias, que também recebem orientação e acolhimento ao longo do processo”, explica Emmanuel Alvarenga Panizzi, professor da Univali e Coordenador de Programas SetoriaisExternos.
Os atendimentos realizados nos CAP-TEA são gratuitos e regulados pelos municípios em que estão inseridos. O acesso ao serviço ocorre mediante encaminhamento médico, a partir de atendimento na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima de onde opaciente reside.
Em 2025, a unidade de Itapema realizou mais de 24 mil atividades assistenciais entre agosto e dezembro, obtendo aprovação quase unânime das famílias atendidas. “Prestar serviço de excelência técnica e científica à comunidade com essediagnóstico, ou que esteja em fase de investigação é parte do compromisso social da Univali, em conjunto com as necessidades dos municípios”, disse o docente, que lidera o projeto ao lado do professor Rafael Silva Fontenelle, responsável pelasduas unidades do CAP-TEA.
A Universidade
Com 61 anos de fundação, a Universidade do Vale do Itajaí possui mais de 26 mil alunos matriculados em seus sete campi — Itajaí, Balneário Piçarras, Balneário Camboriú, Tijucas, São José, Biguaçu e Florianópolis. São 73 cursos degraduação presenciais, 24 em EAD, 86 especializações, 12 mestrados e sete doutorados. Além disso, também desenvolve 106 grupos de pesquisa, 44 projetos de extensão e acordos de cooperação internacional.
Com nota máxima no MEC, a instituição é uma referência em Santa Catarina e na região sul pelo corpo docente composto por 1.172 professores, sendo que 84% são mestres e doutores, e 1.173 funcionários. A Univali oferece também educação infantil,ensino básico e ensino médio, em seus dois colégios de aplicação. Em Florianópolis, é a única instituição de ensino comunitária da Associação Catarinense das Fundações Educacionais (ACAFE) que integra o programa UniversidadeGratuita.
Fonye da Informação | Vivian Leal/[email protected]









